Mostrando postagens com marcador Textos de Livros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Textos de Livros. Mostrar todas as postagens

Uma Análise Funcional Do Comportamento Verbal


Os homens agem sobre o mundo, modificam-no e, por sua vez são modificados pelas conseqüências de sua ação. Alguns processos que o organismo humano compartilha com outras espécies alteram o comportamento para que ele obtenha um intercâmbio mais útil e mais seguro em determinado meio ambiente. Uma vez estabelecido um comportamento apropriado, suas conseqüências agem através de processos semelhantes para permanecerem ativas. Se, por acaso, o meio se modifica, formas antigas de comportamento desaparecem, enquanto novas conseqüências produzem novas formas.

O comportamento altera o meio através de ações mecânicas, e suas propriedades ou dimensões se relacionam freqüentemente, de uma forma simples, com os efeitos produzidos. Quando um homem caminha em direção a um objeto, ele se vê mais próximo deste; quando procura alcançá-lo, é provável que se siga um contacto físico; se ele o segura, levanta, empurra ou puxa, o objeto costuma mudar de posição, de acordo com as direções apropriadas. Tudo isso decorre de simples princípios geométricos e mecânicos.

Muitas vezes, porém, um homem age apenas indiretamente sobre o meio do qual emergem as conseqüências últimas de seu comportamento. Seu primeiro efeito é sobre outros homens. Um homem sedento, por exemplo, em vez de dirigir-se a uma fonte, pode simplesmente "pedir um copo d'água", isto é, pode produzir um comportamento constituído por certo padrão sonoro, o qual por sua vez induz alguém a lhe dar um copo d'água. Os sons em si mesmos são facilmente descritíveis em termos físicos, mas o copo de água só chega ao falante como conseqüência de uma série complexa de acontecimentos que incluem o comportamento de um
ouvinte. A conseqüência última, o recebimento de água, não mantém qualquer relação geométrica ou mecânica com a forma do comportamento de "pedir água". Na verdade, é característico deste comportamento o fato de ele ser impotente contra o mundo físico. Raramente nossos gritos derrubam as muralhas de Jerico, ou somos bem sucedidos ao ordenar ao sol para que não se mova ou para que as ondas se acalmem. Palavras não quebram ossos. As conseqüências de tal comportamento surgem por intermédio de uma série de acontecimentos não menos físicos ou inevitáveis que as ações mecânicas, mas bem mais difíceis de descrever.

Os comportamentos que só são eficientes através da mediação de outras pessoas possuem tantas propriedades topográficas distintas que se justifica um tratamento especial e, até mesmo, se exige tal tratamento. Problemas colocados por esse modo especial de ação usualmente são atribuídos ao campo da linguagem ou da fala. Infelizmente, o termo "fala" destaca o comportamento vocal e dificilmente pode ser aplicado a situações em que a pessoa mediadora é afetada de forma visual, como ao escrever um bilhete. A palavra "linguagem" está agora satisfatoriamente afastada de suas ligações originais com o comportamento vocal, mas, por outro lado, acabou por se referir mais às práticas de uma comunidade lingüística do que ao
comportamento de um de seus membros. O adjetivo "lingüístico" sofre das mesmas desvantagens. O termo "comportamento verbal" tem muitas vantagens, que recomendam-lhe o uso. Sua sanção etimológica não é excessivamente poderosa, mas destaca o falante individual e, quer seja reconhecido ou não por quem o usa,
especifica o comportamento modelado e mantido pelas conseqüências mediatas. Tem também a vantagem de ser relativamente pouco familiar aos modos tradicionais de explicação.

Uma definição do comportamento verbal como comportamento reforçado pela mediação de outras pessoas precisa, como veremos, de maiores esclarecimentos. Além do mais, tal definição não nos diz muito sobre o comportamento do ouvinte, mesmo que houvesse pouco comportamento verbal a considerar se alguém ainda
não tivesse adquirido respostas especiais para os padrões de energia gerados pelo falante. Essa omissão pode ser justificada, pois o comportamento do ouvinte, ao servir de mediador para as conseqüências do comportamento do falante, não é necessariamente verbal em nenhum sentido especial. Na verdade, não podemos distingui-lo do comportamento em geral e uma descrição adequada do comportamento verbal precisa cobrir apenas aqueles aspectos do comportamento do ouvinte necessários para explicar o comportamento do falante. O comportamento do falante e do ouvinte juntos compõem aquilo que podemos chamar de episódio verbal total. Não há em tal episódio nada além do comportamento combinado de dois ou mais indivíduos. Nada "emerge" na unidade social. O falante pode ser estudado pressupondo-se um ouvinte, e o ouvinte pressupondo-se um falante. As descrições separadas que daí resultam esgotam o episódio do qual os dois participam.

Seria loucura subestimar a dificuldade deste assunto, mas progressos recentes, obtidos pela análise do comportamento, permitem-nos abordá-lo com certo otimismo. Novas técnicas experimentais e novas formulações revelam um novo nível de ordem e de precisão. Os processos e as relações básicas que dão ao
comportamento verbal suas características especiais são agora bastante bem compreendidos. Muito do trabalho experimental responsável por tal progresso foi realizado com outras espécies, mas os resultados revelaram-se surpreendentemente livres de restrições quanto às espécies. Trabalhos recentes revelaram que os métodos podem ser estendidos ao comportamento humano sem sérias modificações. Longe da possibilidade de extrapolar descobertas científicas específicas, essa formulação fornece uma nova abordagem, muito proveitosa do comportamento humano em geral e nos habilita a tratar mais eficazmente desta subdivisão chamada verbal.

A "compreensão" do comportamento verbal é algo mais do que o uso de um vocabulário consistente, com o qual instâncias específicas podem ser descritas. Ela não deve ser confundida com a confirmação de qualquer grupo de princípios teóricos. Os critérios devem ser mais exigentes. O alcance de nossa compreensão do
comportamento verbal numa análise "causal" deve ser avaliado pelo alcance das nossas previsões de ocorrência de casos específicos e, eventualmente, pela extensão de nossa capacidade de produzir ou controlar tais comportamentos mediante a alteração das condições em que ele ocorre. Na apresentação de tal objetivo, é salutar ter em mente certas tarefas específicas do planejamento. Como pode o professor estabelecer os repertórios verbais específicos, que constituem os principais produtos finais da educação? Como pode o terapeuta revelar o comportamento verbal latente numa entrevista terapêutica? Como pode o escritor evocar seu próprio comportamento verbal no ato da composição? Como pode o cientista, o matemático ou o lógico manipular seu comportamento verbal no pensamento produtivo? Problemas práticos desse tipo são, é claro, infindáveis. Resolvê-los não é o alvo imediato de uma análise científica, mas eles estão subjacentes aos tipos de processos e relações que tal análise deve considerar.

Postado por Ítalo Sobrinho
Escrito por B.F. Skinner
Livro. Comportamento Verbal

Análise Comportamental Clínica - A Psicoterapia Analítico Comportamental (PAC)


A Psicoterapia Analítico-Comportamental (PAC) é a aplicação da abordagem da Análise do Comportamento à psicoterapia (Castanheira, 2002). A PAC parte da necessidade das pessoas de melhorar suas vidas, em lidar de forma bem-sucedida com o controle coercitivo e em liberta-se daquilo que mais lhes incomoda ou prejudica . As principais metas dos psicoterapeutas analítico-comportamentais são: buscar uma compreensão adequada das dificuldades do cliente, propor estratégias e realizar uma intervenção cuidadosa baseada na análise funcional do comportamento (Castanheira, 2002). Além disso, segundo Skinner (1953,1994), os psicoterapeutas analíticos-comportamentais têm também como objetivo levar o cliente à auto-observação e ao autoconhecimento, oferecendo uma melhor qualidade de vida e uma independência maior para a resolução de problemas futuros.

Dentre as influencias do Behaviorismo Radical na PAC, encontra-se:

a) A rejeição do modelo médico, o qual presume uma causa patológica mental e sintomas comportamentais.

b) A utilização de uma abordagem ideográfica em contraposição à nomotética. Ou seja, defende que cada padrão comportamental possui determinantes individuais particulares. Em outras palavras, sublinha a asserção de que cada casa é um caso, opondo-se a generalizações com base em psicodiagnóstico e em intervenções tecnicistas.

c) Ênfase na origem aprendida dos padrões comportamentais de relevância clínica, sem desconsiderar a genética e a cultura.

d) Negação da distinção entre comportamento normal e anormal. Para a PAC, a distinção entre a normalidade e anormalidade é meramente de ordem social, e não da natureza do comportamento. Assim, o comportamento normal pode ser descrito pelo mesmo conjunto de leis que o comportamento anormal.

e) Trata o comportamento por ele mesmo, e não como sintoma de um conteúdo mental subjacente. O comportamento é definido como uma relação entre o organismo e o ambiente, seja esse público ou privado. A pesquisa profunda (radical) do psicoterapeuta analítico-comportamental não se da nas profundezas da mente, e sim, nas profundezas da relação do comportamento com o ambiente atual e histórico.

f) Mesmo levando em consideração a história de estabelecimento dos padrões comportamentais de relevância clínica, a intervenção é centrada nas contingências atuais mantedoras de tais padrões.

g) A intervenção na PAC não se dá na tentativa de se modificar causas mentais, uma vez que estas não existem, e sim, se dá no nível da modificação das variáveis ambientais responsáveis pelos comportamentos de relevância clínica (Medeiros, 2002).

Segundo Rangé (1995) um procedimento fundamental da PAC é a análise funcional do comportamento. Esse é um empreendimento que objetiva identificar relações funcionais entre comportamento (variável dependente) e seus determinantes ambientais (variáveis independentes) atuais e históricos. Qualquer intervenção analítico-comportamental deve partir de uma análise funcional, uma vez que as relações funcionais entre o comportamento e seus determinantes são subjetivas.

Em outras palavras, é inútil classificar alguém como portador de transtorno obsessivo-compulsivo, por exemplo, e aplicar uma técnica padronizada. As intervenções analítico-comportamentais partem do princípio básico de que cada pessoa demanda uma análise funcional individualizada para os seus comportamentos e uma atuação terapêutica personalizada diante dos mesmos.
É de fundamental importância  considerar a unicidade da história de vida de cada indivíduo e sua forma única de agir no mundo ou de comporta-se. A intervenção terapêutica deve ser norteada pela unicidade de cada comportamento emitido pelo cliente, por suas diferentes variáveis controladores e, inclusive, levando-se em consideração os comportamentos (públicos ou privados) do próprio terapeuta. Nesse sentindo, emerge a necessidade de avaliar o conceito de Relação Terapêutica como um dos principais instrumentos de mudança utilizado na clínica analítico-comportamental.

Postado por Ítalo Sobrinho
Escrito por Ana Karina C.R de-Faria e colaboradores
Livro: Análise Comportamental Clínica

Sobre o Behaviorismo - As causas do comportamento


Por que as pessoas se comportam de uma certa maneira? Esta era, no começo, uma questão prática provavelmente: Como poderia alguém antecipar e, a partir daí, preparar-se para aquilo que uma pessoa faria? Mais tarde, o problema tornou-se prático num outro sentido: Como poderia alguém ser induzido a comporta-se de uma certa forma? Eventualmente, tornou-se um problema de compreensão e explicação do comportamento. Tal problema poderia ser sempre reduzido a uma questão acerca das causas.

Tendemos a dizer, muitas vezes de modo precipitado, que se uma coisa se segue a outra, aquela foi provavelmente causada por esta - de acordo com o antigo princípio segundo o qual post hoc, ergo propter hoc (depois disto, logo causado por isto). Dos múltiplos exemplos de explicação do comportamento humano, um deles é aqui especialmente importante. A pessoa com qual estamos mais familiarizados é a nossa própria pessoa; muito das coisas que observamos pouco antes de agir ocorrem em nossos próprios corpos e é fácil  tomá-las como causas de nosso comportamento. Se nos perguntarem por que respondemos com rispidez a um amigo, poderemos dizer: "Porque me senti irritado". É verdade que já nos sentíamos irritados antes de responder, ou então durante a resposta, e por isso achamos que nossa irritação foi a causa de nossa resposta. Se nos perguntarem por que não estamos jantando, pode ser que digamos: "Porque não sinto fome". Frequentemente sentimos fome quando comemos e por isso concluímos que comemos porque sentimos fome. Se nos perguntarem por que vamos nadar, poderemos responder "Porque sinto vontade de nadar". Parece que estamos a dizer "Quando me senti assim antes, comportei-me desta ou daquela forma". Os sentimentos ocorrem no momento exato para funcionarem como causas do comportamento, e têm sido referidos como tal durante séculos. Supomos que as outras pessoas se sentem como nós quando se portam como nós.

Mas onde estão esses sentimentos e estado mentais? De que material são feitos? A resposta tradicional é que estão situados num mundo que não possui dimensões físicas, chamado de mente, e que são mentais. Mas então surge outra pergunta: Como pode um fato mental causar ou ser causado por um fato físico? Se quisermos prever o que uma pessoa fará, como poderemos descobrir as causas mentais de ser comportamento e como poderemos produzir os sentimentos e os estados mentais que a induzirão a se comportar de uma determinada maneira? Suponhamos, por exemplo, que queremos levar uma criança a comer um prato muito nutritivo, mas não muito saboroso. Nós simplesmente nos asseguramos de que não há nenhuma outra comida disponível e, eventualmente, ela acabará por comer. Parece que ao privá-la de comida (um fato físico), fizemos com que ela sentisse fome (um fato mental); e, porque se sentiu faminta, ela comeu o alimento nutritivo (um fato físico). Mas como foi que o ato físico de privação levou ao sentimento de fome e como foi que o sentimento movimentou os músculos envolvidos na ingestão? Há muitas outras questões intrigantes do mesmo tipo. O que devemos fazer a respeito?
Penso que a prática mais comum seja simplesmente ignorá-las. É possível acreditar que o comportamento expresse sentimentos; antecipar o que uma pessoa irá fazer, adivinhando, ou perguntando-lhe como se sente; e mudar o ambiente na esperança de modificar os sentimentos, e, enquanto isso ocorre, não dar nenhuma atenção (ou dar muito pouca) a problemas teóricas. Aqueles que não se sentem muito à vontade com esta estratégia procuram, às vezes, refúgio na Fisiologia. Diz-se então que, eventualmente, se descobrirá uma base física para a mente. Como escreveu há pouco um neurologista, "toda a gente aceita hoje o fato de que o cérebro proporciona a base física do pensamento humano". Freud acreditava que se descobriria ser fisiológico esse aparato mental extremamente complicado e os primeiros psicólogos introspectivos chamavam sua disciplina de Psicologia Fisiológica. A teoria do conhecimento chamada Fisicalismo sustenta que quando fazemos uma introspecção ou temos sentimentos estamos encarando estados ou atividades de nossos cérebros. Mas as maiores dificuldades são de ordem prática: não podemos antecipar o que uma pessoa fará observando-lhe diretamente os sentimentos ou o sistema nervoso. Tampouco podemos mudar seu comportamento modificando-lhe a mente ou o cérebro. Mas, em qualquer caso, parece que, ao ignoramos os problemas filosóficos, não nos colocamos numa situação pior.

Postado por Ítalo Sobrinho
Escrito por B.F. Skinner
Livro: Sobre o Behaviorismo

Manual de Técnica de Terapia e Modificação do Comportamento - O Comportamento Encoberto - Segunda Parte - 2/2


História do Condicionamento Encoberto

Enquanto a imaginação havia sido amplamente utilizada na Europa com fins terapêuticos, especialmente com a Psicanálise (Kazdin, 1978), na América, a partir de Watson (1924), teve impulsos o ponto de vista de que o comportamento humano se divide em observável e não observável e supôs-se que em uma explicação científica do comportamento humano deviam excluir absolutamente todos os aspectos não manifestos.

Muitos teóricos da Aprendizagem, como Guthrie (1935), Skinner (1938), Hull (1943) e Spence (1956) estudaram unicamente o comportamento animal, que aparentemente estava menos influenciados por processos mediacionais.

Posteriormente, muitos comportamentalistas não aceitaram uma visão dicotomizada do comportamento humano (Bandura, 1969; Day, 1969; Skinner, 1953, 1963; Terrace, 1971) e consideraram indispensável a incorporação sistemática dos fenômenos não observáveis à análise do comportamento. Skinner (1953) e Day (1969) supuseram uma equivalência funcional entre os fenômenos observáveis e os encobertos, quer dizer, que os fenômenos que formam parte do ambiente e os que não são manifestos têm o mesmo “status” na explicação e no controle do comportamento humano. Outros, como Homme (1965), sustentaram que não só devem ser descritos os fenômenos encobertos como deve-se tentar controlar sua freqüência; Terrace (1971) propõe que os acontecimentos encobertos são comportamentos condicionados que devem sua existência a uma historia de reforçamento diferencial por parte de outras pessoas; e Fester (1973) estabelece o registro e análise da relação funcional entre o comportamento manifesto e acontecimentos encobertos.

Apesar de todas estas manifestações, não se generaliza o uso clínico da imaginação na terapia comportamental até o nascimento da dessensibilização sistemática (Wolpe, 1958). Segundo Kazdin (1978), o emprego da imaginação nas técnicas comportamentais era rato antes de Wolpe. Só Chapell e Stevenson (1936) utilizaram imagens para tratar de pacientes hospitalizados com úlcera pépticas. Pedia-se a eles para imaginarem cenas positivas quando se sentissem ansiosos, e isso ajudava a melhora dos pacientes. Outro pioneiro no uso da imaginação em modificação do comportamento foi Salter (1949), mas estas aplicações não parecem ter tido influência na terapia do comportamento contemporâneo. Até o aparecimento de Wolpe, com sua preferência pela dessensibilização sistemática em imaginação sobre a dessensibilização “in vivo”, não se começou a utilizar freqüentemente este recurso terapêutico.

As técnicas de condicionamento encoberto procedem diretamente da dessensibilização. Esta técnica está programada para eliminar respostas de evitação. Não existia, no entanto, nenhuma técnica semelhante para eliminar respostas desadaptativas de “aproximação”, como as que ocorrem nas adicções. Cautela (1967) desenvolve a sensibilização encoberta, que expõe junto com material clinico no que havia sido utilizado. Este Foi o ponto de partida para o desenvolvimento de uma série de técnicas baseadas na utilização da imaginação.

Postado por Ítalo Sobrinho

Escrito por Vicent E. Caballo

Livro: Manual de Técnica de Terapia e Modificação do Comportamento

Manual de Técnica de Terapia e Modificação do Comportamento - O Comportamento Encoberto - Primeira Parte - 1/2



Introdução

Os procedimentos de condicionamento encoberto ficam definidos ao afirmar que estes fenômenos (imagens, pensamentos...) são regidos pelos mesmos princípios e obedecem às mesmas leis que os observáveis. Também supõe-se que os fenômenos encobertos e os observáveis interagem e se influenciam mutuamente.

De alguma forma, embora a descrição os apresente como fenômenos distintos aos encobertos e aos observáveis, é a teoria menos cartesiana que existe a respeito, já que o que se afirma é que o comportamento inclui todas as reações humanas, sejam ou não observáveis. Esta investigação foi imposta no planejamento de Cautela de forma histórica. Quando este autor apresentou uma série de intervenções, muitas delas baseadas no condicionamento operante, teve que justificar o emprego de termos e procedimentos em um âmbito de conhecimentos muito sólido (o condicionamento operante) e no qual se havia eleito preferencialmente uma das modalidades de resposta: a observável ou motora.

O autor precisou das contribuições de Wolpe (1958), Bandura (1969), Homme (1965) e Stampfl e Levis (1967) para definir e enquadrar suas técnicas, diferenciando-as de outras mais cognitivistas. Segundo Cautela (1977), estas últimas se centram na importância dos fenômenos encobertos, dentro da modificação do comportamento, mas não se ocupam destes fenômenos no marco da uma teoria de aprendizagem.

Se, pelo contrário, nos mantemos dentro de uma visão que continuum entre os comportamentos observáveis e os encobertos, temos presente sua interação, os consideraremos submetidos às mesmas leis, poderemos utilizar os mesmos procedimentos (tendo sempre como variável dependente a mudança observável) e nos encontraríamos no âmbito do condicionamento encoberto.

Postado por Ítalo Sobrinho

Escrito por Vicent E. Caballo

Livro: Manual de Técnica de Terapia e Modificação do Comportamento

Compreender o Behaviorismo - Walden Two - Terceira e Última Parte - 3/3




Uma Quarta e mais bem direcionada objeção é que uma sociedade como essa não teria graça. O proprio Skinner disse: "'Eu não gostaria dela', ou traduzindo, 'Essa cultura seria aversiva e não me reforçaria da maneira que estou acostumado'" (p. 163). A vida saudável, agradável e ninguem está estressado - pode ser bastante aborrecida. Em um mundo sem sofrimento, onde estaria um Dostoievskyou um Mozart? Skinner reconheceu que essa objeção tinha seus méritos e ele proprio tinha dúvidas se desejaria viver em um lugar como Walden Two. Ao responder, contudo, ele considerou que essa sociedade seria boa, não para nos que vivemos no munndo de hoje, mas para as pessoas que nela vivessem. Em Walden Two, Frazier faz essa crítica a Castle e Burris. O próprio Frazier é descrito como um desajustado e, Walden Two. Ele ama a comunidade, mas, como produto de sua cultura programa, ele se acha pouco à vontade na nova cultura que ajudou a criar.

Essa crítica, "Eu não gostaria dela", tem meno a ver com a idéia de uma sociedade em experimentação que com a idéia de um mecanismo estatal que garanta o bem-estar em todos os seus níveis (estado de bem-estar social). Se uma sociedade em experimentação estabelece como critério para a escolha de boas práticas que elas produzam conforto, saúde ordem e segurança , então ele se encaminha para um Estado de bem-estar social em que o comportamento de cada um seria reforçado positivamente tanto quanto possível, afastando-se das relações coercivas e da maior parte dos controles aversivos existentes. Para muitas pessoas, isso exigiria uma mudança nos reforçadores e nas relações de reforços que controlam suas atividades. Atividades produtivas e criativas poderiam ser explecitamente reforçadas. Presumivelmente haveria pouca ou nenhuma necessidade de alguém "provar-se a si próprio", de competir, enganar, roubar ou mentir.

Quer ou não esse mundo soe entendiante para alguém que vive em nosso mundo, se caminhássemos na direção de mudanças, essas deveriam ocorrer gradualmente. Mesmo a comunidade imaginária Walden Two evoluiu ao longo de um certo tempo. É provável que a maioria de nós daria boas-vindas a quaisquer mudanças que pudessem acontecer durante nossas vidas, e cada geração cresceria em uma cultura substancialmente diferente daquela que veio antes. É improvavel que eles achasssem aborrecida.

A quinta e maior objeção ao planejamento cultural é que isso representa uma ameaça à democracia e leva ao regime ditatorial. Classificados junto com a literatura sobre utopias, estão o que se poderia denominar romances de pesadelo, como a obra de George Orwell, 1984, e o livro de Aldous Huxley, Brave new world. Orwell imaginou um estado totalitário, no qual os princípios comportamentais são usados para amendontrar as pessoas, levando-as à obediencia. Praticamente todos os métodos usados por esse governo são coercitivos, e embora as pessoas sejam miseráveis e estejam constantemente sob o julgo do medo, o estado é poderoso o bastante para se mantar. Pode-se lembrar da Alamanha nazista ou da União Soviética. No livro de Huxley, o populacho é mantido na linha por meio de reforço positivo. Não há qualquer privação, mas todo mundo é viciado, cedo na vida, no uso de uma droga do prazer, algo como a cocaina, que é livre e amplamente distribuida. As pessoas são ensinadas a passar o tempo desfrutando sexo promíscuo, jogos e em atividades amenas que não levam a nada, e são mantidas na ignorância da literatura , filosofia, ciências ou de qualquer coisa que consideramos a herança intelectual de uma pessoa educada.

Duas respostas podem ser apresentadas diante das preocupações levantadas por essas duas obras. Primeiro, quão realista são esses pesadelos? A sociedade de Orwell nos faz lembrar da Alemanha nazista e da União Soviética, nenhuma das quais durou. Relações coercitivas são inerentemente instáveis; as pessoas eventualmente fogem ou se rebelam. O pesadelo de Huxley parece mais inquietante, só porque o uso de reforço positivo que ele descreve parace tornar uma revolta muito pouco provavel. Os métodos de gerenciamento descritos são típicos de relações de exploração. As pessoas se rebelam ou agem no sentido de mudar relações exploradas somente quando percebem a iniquidade da relação - isto é, somente quando é feita uma comparação com um grupo em melhores condições. Na obra de Huxley, embora nenhuma comparação desse tipo seja feita, há uma classe dominante que leva uma vida muito mlehor que a dos explorados. Podemos apenas conjeturar, sobre como essa classe dominante impediria que as demais pessoas fizessem comparações. Em antigas sociedade hirárquicas, com oa Grecia clássica ou a Roma imperial, até mesmo os membros da classe dominante eventualmente falavam contra a iniquidade. A longo prazo, em gerenciamento baseado em exploração também é instavel.

Uma segunda resposta seria que uma administração estável também inclui um contracontole eficaz. A relação entre governoantes e governados não pode ser uma relação entre pares ou iguais. Tal relação poém, pode ser estável, se os meios de contracontrole vão além da simples ameaça de distúrbios. Em uma democracia, a ameaça de uma rebelião raramente surge, porque as pessoas têm formas alternativas de contracontrole - eleições, lobby e manisfestações.

Uma segunda característica essencial da democracia, é que no final das contas, governantes e governados compartilham as mesmas relações de reforços. Quando o mandato do governante expira, ele se torna um cidadão comum novamente. As mesmas leis se aplicam tanto ao ex-governantes como aos demais cidadãos. Relações de reforços compartilhadas constituem uma forma adicional, a longo prazo, de controle sobre o comportamento do governante; ações levadas a cabo durante o mandato de um governante, em ultima análise, vigorarão tanto para os demais cidadãos como para ele, após deixar seu cargo. Tais relações de longo prazo, porém, precisam ser complementadas por relações relativamente imediatas de contracontrole, que têm mais efeito sobre as ações dos governantes porque atuam a prazo muito curto.

Todavia apesar de tudo que é dito em seu favor, a democracia tal como praticada nos Estados Unidos está longe da perfeição. Como método de contracontrole, as eleições são insatisfatórias, porque fornecem respostas apenas depois de um período de anos; a fim de prover consequencias imediatas para o comportamento dos governantes, as eleições deveriam ser frequentes, mas eleições frequentes causariam muitos problemas. A proposta de Goldstein e Pennypacker permitiria eleições menos frequentes, com menos distúrbios, ao menos em nével local, mas outros problemas permanecem. Quando uma eleição ocorre, muitas vezes menos da metade dos eleitores cadastrados vota. Não se pode supor que aqueles que votam analisaram as questões críticas, porque as campanhas eleitoral é extremamente cara, as pessoas ricas podem exercer muito mais influência do que seria justo. Delegar poderes (sobre os reforçadores) também apresenta problemas, porque as pessoas nomeadas podem ser menos suscetíveis a contracontrole que aqules que o designam. A maioria dos americanos tem pelo menos uma história a contar de encontros fustados com burocratas. A pessoa que recebe seu requerimento para expedição de sua carteira de motorista pode, com completa impunidade, ser rude com você, porque você nao tem qualquer idéia do que fazer a respeito, e você precisa da cooperação dessa pessoa para dar andamento a sua pedido. O grau de variação no tratamento que recebemos, de um serviço para outro, é surpreendente. Quer seja um serviço público ou particular, de um banco ou de um supermercado, em uma organização bem administrada todos são corteses e prestativos. O que causa a diferença? O que faz com que uma organização seja bem administrada e outra, não?

Em Walden Two, Skinner supôs quais seriam as respostas e soluções às questões acerca do que é bom em uma democracia e como ela, poderia ser melhorada. Os planejadores têm mandatos de duração fixa, claro, de forma que se vejam obrigados a partilhar as relações de reforços com os demais, a longo prazo. Contudo, não existem eleições. Ao invés, Skinner propõe frequentes consultas ao povo através de pesquisa de opinião e por meio de solicitações de sugestões, consultas essas a serem feitas através dos Gerentes. Ele pode ter antecipado a preocupação que vemos hoje com a "comunicação". Quando examinamos o que as pessoas querem dizer quando falam de comunicação, particularmente em discussões sobre gerenciamento e administração, parece que elas estão falando de contracontrole. Os burocratas e prestadores de serviço são atentos e corteses quando "escutar" e "ser cortês" são comportamentos reforçados. Considerando que o público tem poucos meios para reforçá-los, o reforço deve vir de cima. Porém, isso depende de como aqueles que estão "em cima" agem para tomar ciência do comportamento dos seus supervisionados e de como os instruem sobre como se comportar. (Esse "agir para tomar ciência " - observar - e essa instrução devem , eles próprios, ser reforçados também.) Quando um supervisor assim se "comunica" com seus supervisionados, não só os comportamentos apropriados relativos aos usuários aumentam, mas os usuários ganham mais poder de contracontrolar. As respostas favoráveis e desfavoráveis de usuário fazem mais diferença porque elas são observadas. Skinner sugeriu que um goversno poderia, do mesmo modo e igualmente bem, ser assim administrado. Em seu livro, os Gerentes (servidores) realizam pesquisas de opinião entre seus eleitores (usuários), de modo que os Planejadores possam estar cientes dos efeitos de suas práticas. Em outras palavras, as consultas fornecem estímulos discriminativos que, além de reforçar e punir o comportamento dos Planejadores, também servem para induzir uma ação (manutenção ou mudanças práticas). Consultar a opinião pública nos Estados Unidos cresceu ao ponto em que hoje é quase uma atividade contínua; essa prática poderia ser submetida a um melhor uso.

Os problemas que enfrentamos hoje são terríveis, Há razões para sermos pessimistas sobre nossa capacidade de resolvê-los. Ainda ouvimos falar da necessidade de mudar as mentes das pessoas sem reconhecer que o que precisamos mudar é o comportamento das pessoas e que mudar suas mentes em geral não funciona. Ainda ouvimos falar da nessecidade de mais punições para impedir comportamentos indesejáveis. Enquanto uma linguagem metafísica sobre sentimentos e sobre um eu interno dominarem nossa discussões, enquanto uma linguagem moralista induzir o uso de controle aversivo em vez de reforço positivo, não consiguiremos abordar nossos problemas como problemas de comportamento e não consiguiremos usar ténicas comportamentais para resolvê-los. Precisamos planejar, experimentar e avaliar. Conseguiremos realizar, em tempo, as tão necessárias mudanças nas relações de reforço? Enquanto consequencias de longo prazo não controlarem nossa decisões políticas e consequências de curto prazo continuarem controlando nosso comportamento, o desastre parece inevitável.

Não obstante, parece haver alguma razão para nos sentirmos otimistas. Embora considerações de curto prazo possam dominar em nossa cultura, parace que estamos mudando de forma a sermos cada vez mais controlados por consequências de longo prazo. No passado, cada geração deixou para a próxima geração ainda mais problemas do que encontrou - poluição, armamento, dívidas publicas - por agir baseando-se apenas em considerações de curto prazo. À medida que possamos de uma crise para a próxima, certas práticas evoluem, e elas poderão finalmente nos ajudar a evitar novas crises. Tais práticas inevitavelmente dependem de especialistas que possam avaliar e prever relações de longo prazo prováveis, Elas também depedem de um número suficiente de cidadãos informados e participantes, agindo para prover estímulos discriminativos e consequências para aqueles que governam. A julgar pelos noticiários, especialistas e cidadãos comprometidos com o bem-estar geral parecem, pouco a pouco, ter sucesso na aprovação de leis de proteção ambiental, de diminuição da pobreza e de melhorarias na saúde, em vários países do mundo, inclusive nos Estados Unidos. Essas práticas estão sendo cada vez mais avaliadas e comparadas com alternativas. Queiramos ou não, acreditássemos ou não ser isso possível, parece que estamos caminhando na direção da sociedade em experimentação de Skinner. Esperamos que sim.

Postado por Ítalo Sobrinho
Escrito por William M. Baum
Livro: Compreender o Behaviorismo

Compreender o Behaviorismo - Walden Two - Segunda Parte - 2/3



Objeções

Em Walden Two e Beyond Freedom and dignity, Skinner tentou responder às objeções feitas a sua concepção de sociedade em experimentação. Começa mostrando que, gostemos ou não, já existe uma tecnologia comportamental - em estágio rudimentar talvez, mas em crescimento. Já não há mais qualquer dúvida de que as ações das pessoas podem ser controladas por relações de reforço planejadas para esse fim. A pergunta é como esse conhecimento será usado.

A primeira objeção pode ser colocada do seguinte modo: sua concepção é errada, porque mesmo que seja possível controlar as ações das pessoas no laboratório, esse é um ambiente de condições artificiais e simplificadas que não tem nada em comum com as complexidades do mundo real. Skinner respondeu mostrando que os experimentos em física e química são igualmente realizados em condições artificiais e simplificadas, contudo, ninguém duvida que seus resultados possam ser aplicados no munndo real. Não é necessario que o controle seja perfeito para que pessoas pode ser explorado. Felizmente, pode haver também usos mais construtivos - gerenciamento comportamental, em salas de aula e instituições para doentes mentais, por exemplo. Em Walden Two, Frazier sugere que houve falhas, mas não há nenhuma dúvida do que a tecnologia funciona. Skinner (1971) instou aqueles que rejeitariam uma tecnologia comportamental por ser muito simples a examinarem a alternativa:

Uma supersimplificação, realmente grande, é representada apelo tradicional a estados da mente, sentimentos e outros aspectos do homem autônomo que a análise comportamental está substituindo. A felicidade com que podem ser inventadas explicações mantalistas Ad hoc, é talvez a melhor medida de quão pouca atenção deveríamos prestar a elas. E o mesmo pode ser dito de práticas tradicionais. A tecnologia que emergiu de uma análise experimental [do comportamento] só deveria ser avaliada em compração com o qe tem sido feito a partir de outras concepções. Afinal de contas, o que temos para mostrar daquilo que foi produzidos por métodos não-científicos, ou pelo senso comum pré-científico, ou simplismente pelo bom senso, ou até mesmo pela experiência pessoal? É ciência ou nada, e a única solução para a simplificação é aprender a lidar com complexidade (p. 160).

Ele prossegiu reconhecendo que a análise comportamental, como qualquer outra ciência, não pode responder a toda e qualquer questão que lhe seja colocada. À medidaque progride, entratanto consegue responder a um número cada vez maior dos problemas que lha são colocados:

A ciência do comportamento não está ainda pronta para resolver todos os nossos problemas, mas é uma ciência em desenvolvimento, e sua adequação última não pode ser avaliada agora. Quando seus críticos afirmam que ela não pode explicar esse ou aquele aspecto do comportamento humano, eles normalmente deixam implícito que ela nunca poderá ver a fazê-lo, mas a análise continua e se desenvolver e de fato está em um estágio muito mais avençado do que seus críticos geralmente supõem (p. 160).

Uma segunda objeção equipara planejamento com interferência. Inovações pouco inteligentes poderiam levar a catástrofes: tentaremos uma experiência, não seremos capazes de prever suas consequências, e produziremos mais mal do que bem. Assim, em vez de assumir o risco de consequência imprevisíveis, seria melhor deixarmos as coisas como estão e deixar que os eventos sigam o custo que bem lhes parecer. Skinner respondeu a essa postura mostrando que "o não planejado também dá errado". Se nos abstemos de intervir, deixamos nosso destino ao acaso. Isso pode ter funcionado bastante bem no passado, mas em um mundo em que nossas ações ameaçam nossa própria existência, seria irresponsável sentar-se à espera de que as coisas "se ajeitem".

A comunidade Walden Two de Skinner inclui um grupo de Planejadores, cada um dos quais serve durante determinado mandato. Eles avaliam as práticas existentes na comunidade com base nas informações que recebem dos Gerentes, cada um dos quais está ligado a um determinado grupo de trabalho - saúde, produção de leito e derivados, preparação de comida, cuidados com as crianças, e assim por diante. Os Gerentes coletam os dados; os Planejadores os analisam. Usando esses dados, Os Planejadores decidem quais práticas funcionam, quais poderia ser melhoradas e que novas práticas deveriam ser postras à prova.

Os Planejadores são especialistas, eles devem ter passado por um treinamento em avaliação e planejamento de inovações. Um governo responsável confia em especialistas para sugerir soluções a problemas complexos. Tal como ocorre com problemas como o estabelecimento de padrões para a construção de pontes ou a avaliação de um novo medicamento, assim também ocorre com problemas comportamentais, como poluição e crime - as soluções demadam especialistas. Os analistas de comportemanento estão sendo chamados cada vez mais para planejarem práticas a serem utilizadas em escolas, prisões e hospitais. À medida que se tornam úteis, seu papel pode crescer.

Uma terceira objeção dá ao planejamento o significado de estagnação. O planejamento produzirá um ambiente estultificante, sem espaço para inovações. Como discutimos antes, esse ponto de vista interpreta erroneamente a palavra "planejar". Uma das forças da abordagem experimental é que ela se encoraja na inovação. Qualquer acaso feliz pode ser explorado, e qualquer proposta nova, que seja promissora, pode ser experimentada, Deveríamos confiar apenas em acasos felizes?

Uma outra objeção, relacionada à anterior, vê no planejamento o caminho para a padronização e uniformidade. Se determinados estilos de roupa ou de preparo de alimentos fossem considerados os melhores, então todo o mundo seria obrigado a segui-lso. Só os produtos dados como os melhores poderiam estar à venda nas lojas. Esse medo de desconsidera suas própria bases, o valor da diversidade, da variablidade. A historia da civilização ocidental nos ensina que as pessoas são amis felizes quando podem escolher. A diversidade de que desfrutamos hoje não só pode ser preservada por um planejamento adequado, mas poderia ser aumentada. Se a diversidade tem valor, podemos criar um planejamento para que ela ocorra.
Continua na proxima postagem as objeções
Postado por Ítalo Sobrinho
Escrito por William M. Baum
Livro: Compreender o Behaviorismo

Compreender o Behaviorismo - Walden Two - Primeira Parte - 1/3



Walden Two: a visão de Skinner

Um modo pelo qual Skinner tentou transmitir sua ideia da sociedade experimental, ou em experimentação, foi descrevendo-a em seu romance Walden Two. Como ficção, o livro oferece ilustrações concretas de como uma sociedade em experimentação poderia ser. Como um ensaio que defende as virtudes de uma sociedade em experimentação, ele é indireto, porque Skinner passa seu ponto de vista através de diálogos entre seus personagens. Para apreciar o lviro em toda sua extensão, é necessario interpretá-lo à luz das concepções de Skinner

Interpretação de Walden Two

O livro começa com dois professores universitários de meia-idade, Burris e Castle, decidindo visitar uma comunidade experimental localizada em uma fazenda no meio-oeste americano. Eles de defrontam com um povoado lozalizado em um pequeno pedaço de terra com um aprazível plano urbanístico, de aproximadamente mil habitantes. Os dias que lá passam são denominados pelas conversas com Frazier, o criador da comunidade, que ainda lá vive, mas que então tem uma influência apenas marginal no que diz respeito a seu funcionamento.

Uma maneira de Lê-lo é como se o livro fosse uma batalha entra Frazier e Castle para conquistar a adesão de Burris. Castle, descrito como uma pessoa confortável em seu papel acadêmico, um filósofo com excesso de peso e verbalmente beligerante, é a personificação do mentalismo. Frazier, homem de ação, é descrito como vigoroso e combativo, excessivamente autoconfiante. Ele representa a esperança em um mundo novo baseado na tecnologia comportamental. Burris, pouco à vontade em seu papel de acadêmico, descontente com a vida que leva, está aberto à persuasão. Pode-se dizer que nenhuum dos três representa Skinner, embora possamos imaginar que as discussões que acontece mentre eles, especialmente entre Frazier e Burris, poderiam se assemelhar às discussões de Skinner consigo próprio.
À medida que Frazier lhes mostra a comunidade Walden Two, Burris e Castle conhecem vários aspectos daquela cultura, suas práticas relativas à economia, governo, educação casamento e lazer. Frazier explica que as práticas são baseadas em princípios comportamentais. Castle aponta problemas e usa argumentos mentalistas que Frazier refuta. Burris vacila. Uma após a outra, as objeções à ideia de uma sociedade em experimentação são levantadas - a maioria por Castle, algumas por Burris - e respondidas.
Cada um dos aspectos de Walden Two é retratado como funcionando melhor que no Estados Unidos, de modo geral. Não há necessidade de dinheiro; as pessoas ganham crédito de trabalho por realizarem terefas úteis - mais crédito por hora em tarefas trabalhosas (como lavar janelas), menos crédito em tarefas agradáveis (como ensinar). O governo é tão sensível às manifestações de seus cidadãos que as eleições ficaram obsoletas. Ensina-se às crianças como se auto-educarem, de forma que necessitam apenas de uma leve orientação dos professores. As pessoas desfrutam de períodos enormes de lazer e os usam de maneira produtiva. O vestuário é variado. As interações sociais são diretas e carinhosas. Acima de tudo, todo mundo está contente. Burris passa eventualmente por um tipo de conversão, deixa Castle em sua viagem de volta à universidade, e retorna a Walden Two para ficar.

Walden Two é um utopia?

Claro, Walden Two parece bom demais pra ser verdade. O Livro tem sido frequentemente classificado como uma obra utópica de Thomas More, Utopia. Várias ficções desse tipo já foram escritas, em geral sobre uma comunidade pequena e isolada, onde a vida é de longe muito melhor do que no mundo que vivemos. Sob um ponto de vista superficial, Walden Two se encaixa nesse modelo.
Skinner, porém, negou que o livro fosse utópico, afirmando de pretendia descrever a ideia básica de uma sociedade experimental (em experimentação). Os detalhes concretos da economia, do governo, da vida social, e assim por diante foram incluídos somente como ilustração. Ao contrario do que ocorre em ficções utópicas típicas, nas quais esses pormenores são o ponto focal do livro, Walden Two vai além dos detalhes e mostra um método - o metódo experimental. Tomar os pormenores como recomendações de Skinner é uma interpretação equivocada do livro. Na verdade, a própria lógica da postura de Skinner, impediria que ele tivesse qualquer ideia definida acerca dos detalhes de Walden Two, porque esses detalhes deveriam evoluir com o tempo de experimentação e de seleção. Quem sabe se o sistema de crédito de trabalho, o sistema de governo por meio de consultas constantes à população ou o autodidatismo fuuncionariam? Em uma sociedade em experimentação, esses aspectos poderiam ser testados, modificados e conversavados ou descartados.

Ao longo dos anos, utópico ganhou significados adicionais como "inviável" ou "inexequível", e a obra Walden Two poderia ser chamada de utópica nesse sentido, Poder-se-ia dizer que experimentar em uma comunidade de mil pessoas é possivel, mas nunca poderia ser feito em um país com 300 milhões de pessoas, ou até mesmo em uma comunidade como Walden Two tivesse sucesso, ela sobreviveria como uma pequena ilha encerrada em si mesma. No livro, Skinner imaginou outras comunidade, semelhantes a Walden Two, brotando pelo país. Estava implícito que eventualmente, se um numero suficientemente grande de pessoas vivessem em tais comunidade, elas comecariam a influenciar o país.

É dificil saber se as suposições de Skinner se mostrarão correstas, pois as tantativas de instalar tais comunidades tiveram pouco sucesso. Uma delas, Twin Oaks, inicida na década de 1960 nos Estados Unidos, sobreviveu até a décadas de 1990; porém notícias recentes indicam que a prática da experimentação foi abandonada. Uma comunidade mexicana, Los Horcones, reteve a prática de experimentação, mas é muito pequena para ter muito influência.

Talvez o crescimento de prática de experimentação cultural não devesse ficar restrita a pequenas comunidade. Poderíamos argumentar que vários governos norte-americanos, emt todos os seus níveis, têm demonstrado uma tendência crescente, desde a crise de 1929, no sentido de realizarem experimentações com praticas culturais. Os jornais frequentemente descrevem projetos-piloto que testem novos modos de lidar com a coleta de lixo urbano, o uso de drogas, a gravidez na adolescência e o desemprego. Práticas empregadas em outras sociedades são taduzidas pa análise e possivel adoção. Um pessimista poderia apontar para o poder de grupos de interesse militantes que se opões à mudança, enquanto um otimista poderia dizer que, apesar de tudo, estamos caminhando leta e pausadamente em uma direção a uma sociedade em experimentação. Skinner provavelmente insistiria que devêssemos agir mais rápida e sistematicamente no trato de nossos problemas (comportamentais), antes que seja tarde demais.

Continua na proxima postagem
Postado por Ítalo Sobrinho
Escrito por William M. Baum
Livro: Compreender o Behaviorismo