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Entrevista com Indianara Silva


Entrevista humildemente cedida pela nossa colaboradora Indianara e os alunos de psicologia da Faculdade Santo Agostinho - FSA 

Nome: Indianara Maria Alves Silva
Curso: Bacharel em Psicologia pela Universidade Estadual do Piauí-UESPI
Ano de Formação: 2011.2
Abordagem Teórica: Analítico-Comportamental (Clinica) ou Comportamental.
Área de atuação atualmente: Acompanhante Terapêutico (AT) de Crianças com Transtorno do Desenvolvimento, com Autismo. E de Pessoas Adultas com Transtornos Psicopatológicos.
Entrevistadores: Alunos do 1º bloco de Psicologia da Faculdade Santo Agostinho- FSA em Teresina-PI
Disciplina: História da Psicologia.
Alunos: Fábio Carvalho, Felipe Soares, José Domingos, Raphael Barros e Verônica Castro.

Perguntas:
01: Qual o Objeto de estudo da Psicologia, segundo sua abordagem teórica.
R. Estudamos o comportamento enquanto objeto de estudo, uma vez que esse comportamento nada mais é do que o organismo (pessoa) em interação com o mundo, com as pessoas, com objetos, com animais, com tudo que faça o homem se relacionar chamamos de comportamento. Exemplo de comportamento que trabalhamos na clinica é o comportamento verbal do cliente que verbaliza a todo o momento que está tendo pensamentos recorrentes de suicidar-se. O simples ato de pensar é um comportamento que podemos atuar enquanto profissional comportamental, tal como também a resolução de um problema. Em suma nosso objeto é o comportamento sendo que ele é uma relação e sendo relação há reciprocidade do organismo (pessoa) com o seu mundo (privado, que só ele tem acesso, a exemplo o pensamento) e com o seu ambiente social, familiar, escolar, religioso e trabalhista.

02: Como sua Abordagem Compreende o ser humano?
R. O ser humano é visto como um ser ativo, que ao mesmo tempo em que agi no mundo, sofre as consequências dos seus comportamentos, e as mesmas retroagem tanto no próprio comportamento do individuo como no comportamento de outras pessoas.  Seu comportamento é selecionado pelos os três níveis de seleção do comportamento humano que são: 1ª nível de seleção filogenético: que seleciona um aparato fisioquímico e biológico da qual todos os seres humanos são determinados a possui e se comportar nesse estado; 2ª nível de seleção ontogenético: que é o nível onde o ser humano se comporta e as consequências do seu comportar selecionam sua maneira de ser enquanto homem único e insubstituível, porque é a aqui que torna o homem único e idiossincrático, de modo que ao se relacionar com o mundo, vai selecionando sua história de vida, sua história de aprendizagem única, que ninguém possui a mesma história ontogenética de aprendizagem, é aqui que o ser humano se torna operante. Operante porque opera no seu ambiente (familiar, escolar, trabalho, grupo de religião, grupo de amigos, grupo social,) e tanto pode ser influenciado pelo mundo como também influencia ele, numa relação reciproca e nunca passiva.

3ª nível de seleção do comportamento é o cultural: onde não podemos ver o homem somente pelo anglo único de um só ser, pois esse ser é social, que depende de uma cultura para viver, para se relacionar, para trabalhar, está inserido numa classe social, numa cultura, em grupos sociais, em determinado grupo religioso, desempenhando determinados papeis. Esse nível de seleção também seleciona comportamentos que visto sobre a ótica do único ser, não poderia ser compreendido. Precisamos estudar as praticas culturais e religiosas, pois elas são produzidas pelo homem que tanto as crias como sofre as suas consequências no seu comportamento.
Portanto o ser o humano é compreendido como um agente ativo possuidor de repertórios comportamentais selecionados pela biologia, cultura e por ele mesmo ontogenéticamente (se comportando, influenciando e sendo influenciado) a todo o momento e a todo instante. Esse repertório comportamental foi aprendido desde a concepção, passando pelo período de gestação até chegar à velhice. Sendo que esse repertório é passível de modificação, ou seja, o ser humano é capaz de aprender infinitas maneiras de ser comportar, basta para isso ser estimulado.

03: Fale do seu processo de escolha de abordagem.
R. O processo de escolha de abordagem foi com o ingresso, no 2º bloco, em grupos de estudos (GEAC) sobre a filosofia da ciência Análise do Comportamento que acontecia na UESPI- FACIME, mas tarde ingresso numa Liga Acadêmica de Análise do Comportamento (LIAAC-PI), posterior, ainda no 4º bloco, comecei a trabalhar como Acompanhante Terapêutico (AT) sob supervisão de  Profissionais que faziam as supervisão de como atuar nessa abordagem e fui monitora das disciplinas:  Análise Experimental do Comportamento I e II e dos grupos de estudantes do GEAC( Grupo de Estudos em Análise do Comportamento), depois ingressei  em grupos de estudos na FACIME-UESPI (Faculdade de Ciências Médicas) com supervisões semanais de profissionais da Área sobre clinica infantil. Depois, já no 6º bloco, participei de congressos Norte, Nordeste e Sul sobre psicologia que acontecem anualmente, com apresentação de trabalhos e relatos de Experiência na área. Também ingressei numa Sociedade de Psicologia Chamada SPPC (Sociedade Piauiense em Psicologia Cognitiva e Comportamental).   No 9º e 10º bloco fiz Estágio profissionalizante (Duração de um ano) em Clinica Comportamental com supervisor na área bem como cursos sobre Terapia Analítica- Comportamental.   Tudo isso foi importante para o meu processo de escolha da Abordagem Profissional.

04: Quais as limitações em sua abordagem teórica?
R. Bem! A meu ver essa abordagem respondeu e responde as todas as minhas perguntas acercar da visão sobre o homem, com sua filosofia e de como se trabalhar, tanto na Clinica, como na Organização, no CRAS, no CREAS, nos CAPS, na área  Escolar, no  Esporte, ou seja, onde houver uma pessoa ou grupo  se comportando nós  podemos  atuar, eticamente me reportando ao fazer do Psicólogo!!!. Portanto, vejo que as limitações seriam: Enquanto Ciência, ela tem respondido aos questionamentos dos pesquisadores, dos clínicos e dos profissionais em geral, mas como toda ciência, ela sempre terá falhas porque senão não seria ciência, que está sempre indagando sobre o comportamento humano.
Vejo que as limitações vão depender de cada profissional, pois cada um faz da ciência o que está ao seu alcance de visão enquanto profissional, pois EU enquanto profissional, que atuo e represento a ciência devo sempre me indagar sobre minha prática, avaliando as suas consequências, seus efeitos e o momento certo de modificá-la sempre voltado para o bem do outro que necessita da prática psicológica.
A Análise do Comportamento passou muito tempo no estudo do comportamento do ser único, tendo como consequência disso muitas tecnologias e conhecimento teórico, acerca do comportamento animal e humano, internacionalmente reconhecido. Porém acerca dos problemas que afligem a humanidade tal como conter a violência urbana, a poluição ou mesmo grandes índices de violência domestica, ou seja, conhecimento e tecnologias sobre as praticas de grupos, a análise do comportamento está a menos de 30 anos estudando e respondendo sobre esses fenômenos e tem ainda muito a contribuir com a ciência.

05: Que faixa de etária tem maior adaptabilidade a sua abordagem?
R. Tiver a oportunidade de trabalhar com crianças, adolescentes e adultos enquanto Terapeuta Comportamental (Clinica) e com idosos na área Comunitária em Unidades Básicas de Saúde. Não tive dificuldade de Adesão em nenhuma dessas faixas etárias, pelo contrário cada uma dela tem a sua peculiaridade e seu diferencial. Então pude observar que cada uma responde de maneira diferente que não daria para mensurar qual delas é mais adapta a minha abordagem.

06: E qual a faixa etária é mais arredia? Ou não há diferença?
R. Como cada uma se comporta de maneiras diferentes, não vejo que seja arredia, vejo que existe mais fatores ou variáveis diferentes,  que fazem com que cada uma tenha um diferencial na maneira de ser comportar, o que aqui não estou afirmando que seja uma regra! Mas o terapeuta precisa perceber essa diferença para se comportar perante cada faixa etária. Na Abordagem comportamental o que faz a diferença não é faixa etária e sim a história de aprendizagem idiossincrática que faz do ser um pessoa única!  Nós enquanto terapeutas utilizamos a Análise funcional para conhecer os fatores que atuam sobre o comportamento de cada indivíduo não se esquecendo de que esses fatores podem ser  fatores filogenético, ontogenético e cultural, pois com a  Análise funcional  saberemos porque o individuo se comporta dessa ou daquela maneira.

07: Se fosse escolher outra abordagem psicológica para trabalhar, qual seria?
R. No momento, só escolheria outra abordagem se não existisse a Análise do Comportamento! Tive oportunidade de conhecer as outras abordagens bem como supervisores das outras áreas, fiz leituras e trabalhos de outras áreas, tenho respeito e admiração, sabendo que cada abordagem tem seu espaço e seu devido mérito. Sei também que cada uma tem uma base Epistemológica e Filosófica diferente, então para escolher outra abordagem teria que começar a estudar desde o 2º bloco ou me dedicar muito tempo como foi com a área Análise do Comportamento.

Obrigada!

Entrevista com Esequias Neto


(Texto inicial retirado do http://www.comportese.com)
Psicólogo Clínico e Empresarial, especializando em Terapia Comportamental pelo ITCR – Campinas. É coordenador de Ensino a Distância no Instituto de Psicologia Aplicada – InPA, de Brasília, onde também realiza Orientação Psicológica Online. Trabalha com Consultoria em Recursos Humanos e Consultório Particular na Êzito Inteligência Organizacional e Clínica de Psicologia, em Patos de Minas – MG. Tem experiência no atendimento a adultos, crianças/ orientação de pais, casais, famílias e grupos. É membro fundador da Liga Patense de Neurociências e Membro Colaborador da Liga Uberlandense de Análise do Comportamento.

Escreve sobre: Terapia Comportamental com adultos; Habilidades Sociais e Relações Interpessoais; Princípios Básicos da Análise do Comportamento; 


Linkedin: Esequias Neto.
Twitter: @_netoec

1- Como você conheceu a Análise do Comportamento?

Conheci a Análise do Comportamento ainda no primeiro período da faculdade, através da disciplina Psicologia Experimental, ministrada pela Prof.ª Ms. Simone Santos. Naquela época eu não fazia idéia de que a Psicologia era composta por um número quase incontável de abordagens, cada uma com uma visão de homem totalmente diferente da outra.

O que me atraiu na Análise do Comportamento no começo não foi sua visão de mundo, mas o fato de naquela época ser a única disciplina em que se falava de Comportamento Humano; a qualidade das aulas da Simone e o fato de eu ter sido aprovado em um processo seletivo para monitoria de AEC, criando uma contingência em que estudar Análise do Comportamento era necessário e aprender a respeito era bastante reforçado socialmente.

No final do Segundo Período eu participei de alguns cursos com o Prof. Dr. Alexandre Montagnero, do Grupo Atitude, de Uberlândia. Se eu já gostava de Análise do Comportamento, aquelas aulas sobre Habilidades Sociais, Terapia Comportamental da Depressão, relatos de pesquisas de eficácia sobre a AC, entre outras coisas do gênero, foram o bastante para que eu me apaixonasse de vez pela abordagem. Me tornei amigo do Prof. Alexandre e com frequência conversávamos a respeito. Embora ele seja Cognitivista Comportamental, sempre estimulou a leitura de Skinner e outros autores da Análise do Comportamento.

Concluída a disciplina de Psicologia Experimental continuei como monitor, auxiliando a Profª Simone com as aulas nas turmas seguintes. Em algum tempo ela se mudou e a Profª. Ms. Cíntia Alves assumiu a disciplina, que passou a se chamar Análise Experimental do Comportamento. Como esta era a única disciplina da graduação cuja orientação era Analítico Comportamental, permaneci como monitor até o sétimo período, quando precisei me dedicar mais ao TCC e não pude continuar. Adorava assistir as aulas da Cíntia, que acabou se tornando também uma grande amiga que muito admiro. Me orientou também em duas Iniciações Científicas e no meu TCC.

2- Você é consideravelmente novo no meio profissional da análise do comportamento. Como fez pra em tão pouco tempo ser uma referência?

Fico muito lisonjeado por me considerar uma referência. Se conquistei algum destaque na área, acredito que seja fruto principalmente de fazer algo que é extremamente reforçador para mim: falar de Análise do Comportamento. Em função disso me empenhei bastante em estudar a abordagem; divulga-la; fazer contato com outras pessoas que estudavam Análise do Comportamento e compor uma equipe como a do Comporte-se, extremamente competente e comprometida com os mesmos ideais.

3- Qual a idéia básica do Comporte-se e onde vocês (o grupo do Comporte-se) querem chegar?

O Comporte-se nasceu bem simples! Era apenas um meio de interagir com profissionais e estudantes de Análise do Comportamento e estimular meus estudos. Era bastante informal e as contingências é que foram fazendo com que ele tomasse corpo de um blog de divulgação. Esse investimento começou verdadeiramente em Fevereiro de 2010, quando passei a atualizá-lo com mais frequência e o número de visitas ao site começou a aumentar. Naquela época, tinha em média 2.800 visitas por mês – coisa que hoje conseguimos em um dia! Em 07 de fevereiro daquele ano publiquei uma entrevista exclusiva com o Prof. Dr. Roberto Banaco, que foi um verdadeiro sucesso e me motivou a investir ainda mais no blog. Abri um processo seletivo para a entrada de novos colunistas, e no dia 25 do mesmo mês passaram a compor a equipe a Aline Couto, nossa atual Diretora de Marketing; o Marcelo Souza, colunista; Rodrigo Oliveira, também colunista e Daniel Gontijo, que em função de seu mestrado e novos investimentos, deixou o grupo em 14 de dezembro de 2011.

Um pouco antes da saída do Daniel, convidei para a equipe a Natalie Brito, nossa atual diretora editorial. Ela passou a se responsabilizar junto comigo pela revisão dos textos enviados para publicação, além de cobrar certa periodicidade dos colunistas. Algum tempo depois passou a compor o grupo a Prof. Dra. Maria Ester Rodrigues, nossa atual vice-presidente. Chegou cheia de idéias novas, estimulando a entrada de novos colunistas e a formação de um corpo de revisores especializados, que se hoje se responsabiliza por avaliar nossos textos e garantir sua qualidade. A Renata Pinheiro é quem cuida da organização de tudo isso, atendendo dúvidas de colunistas e outros parceiros, garantindo a periodicidade das atualizações, “descascando os abacaxis” que surgem na equipe, entre outras coisas. Eu tenho me dedicado exclusivamente a novos projetos, como parcerias com instituições de ensino, editoras, entre outros, que nos conduzirão rumo a nossos objetivos descritos logo abaixo.

O grupo completo é atualmente composto por 24 colunistas, 14 revisores e 3 assistentes de marketing, cuja atuação se volta especificamente a apoiar eventos estudantis de Análise do Comportamento e operacionalizar a divulgação de nossos parceiros. Uma novidade é que em breve deixaremos de ser um blog e assumiremos a identidade de um portal, muito mais interativo e com muito mais recursos para nossos leitores.

Respondendo a pergunta inicial, o objetivo do grupo é tornar o Comporte-se o principal site de Psicologia com referencial Analítico Comportamental do país, reconhecido pela qualidade do material divulgado, dos serviços prestados e interação com leitores e parceiros. Todos nós trabalhamos duro nisso! Para tanto, muitas mudanças ainda vem por ai. Aguardem.

4- Você considera que os ACs de hoje usam muita linguagem técnica e que isso distancia os mais leigos? Se sim o que você sugere para mudança desse perfil?

O que observo é que acadêmicos ou profissionais sem muita experiência com a aplicação realmente tem este perfil e enfrentam dificuldades para dialogar com leigos ou profissionais de outras áreas. Por outro lado, aqueles que já se expuseram a esta contingência não passam por isto, ou pelo menos passam em menor grau. É o que tenho observado ao acompanhar a atuação de alguns Analistas do Comportamento em atividades junto à comunidade de maneira geral.

Mesmo dentro da academia o emprego exagerado de um linguajar técnico pode trazer problemas. Por exemplo, imagine uma situação em que um professor Analista do Comportamento precise discutir a indisciplina de um aluno com outro professor, que por sua vez, é Psicanalista, dizendo: “A análise funcional me demonstrou que a principal variável controladora do comportamento inadequado de Joãozinho é a privação de reforçadores positivos em sua aula somada à estimulação aversiva representada pelo excesso de regras”. Naturalmente não haverá diálogo.

O linguajar técnico é adequado e desejável especialmente em contextos em que analistas do comportamento interagem entre si, como em congressos, publicações da área, aulas sobre a abordagem ou mesmo ambientes virtuais destinados a este fim. Não há porque emprega-lo ao conversar com um cliente, um administrador, um professor, um psicólogo de outra abordagem ou qualquer outra pessoa cujo repertório verbal seja diferente e não se tenha como objetivo ensiná-la o repertório analítico comportamental.

Costumo ensinar meus clientes da clínica e de empresas a empregarem expressões características de nosso vocabulário, mas é uma construção mais ampla em que primeiro compreendem o processo e depois aprendem a nomeá-lo. Como assim? Primeiro compreendem que uma consequência aumenta a probabilidade de ocorrência de uma resposta, para só então, nomearem o processo como “reforçamento positivo” e a consequência como “reforçador positivo”.

Indo além, acho complicado dizer que a pouca aceitação da Análise do Comportamento pelas pessoas de outras áreas se deva exclusivamente à nossa linguagem. Existem outras variáveis relevantes, dentre as quais destaco:

a. A maioria dos Analistas do Comportamento publica apenas para os próprios Analistas do Comportamento, em periódicos e congressos específicos da área. Nossos dados são apresentados quase que apenas para nós mesmos. Sugiro aos novos Analistas do Comportamento que participem mais de congressos de pedagogia, administração, medicina, antropologia e outras áreas, levando trabalhos de qualidade e dialogando com estes profissionais. Na medida do possível, busquem também publicar em revistas destas outras áreas.

b. A visão de homem da Análise do Comportamento diverge daquilo que a maioria das pessoas acredita ao ir contra a idéia de um eu iniciador, dos sentimentos como causas do comportamento, entre outras coisas. E isto não é culpa destas pessoas, ou seja, não adianta brigar com elas porque pensam diferente de nós. Em vez disso, que tal usarmos o que sabemos sobre instalação de repertório?

c. Temos um passado que ainda habita o imaginário popular, especialmente daqueles psicólogos cuja formação ocorreu antes da década de 80. As primeiras abordagens com referencial Analítico-Comportamental, a saber, a Modificação do Comportamento e a Terapia Comportamental de Eysenck, foram marcadas pelo tecnicismo. Os profissionais cuja atuação era orientada por elas tinham sua prática baseada quase que exclusivamente na aplicação de técnicas. Nem mesmo a Análise Funcional, nossa principal ferramenta hoje, era utilizada por eles. Os Modificadores do Comportamento, muitas vezes, sequer tinham contato com seus clientes. Eles apenas programavam contingências e orientavam outros profissionais (enfermeiros, cuidadores, etc.) sobre como fazerem as modificações. Isso sem falar nos procedimentos aversivos, amplamente empregados nos primórdios da AC. Entenda que não estou desqualificando este passado, afinal foi com ele que aprendemos. Eu apenas busco hipóteses sobre o porque de muitos considerarem a AC tecnicista ou aversiva. Estas pessoas não acompanharam o desenvolvimento da abordagem. E, mais uma vez, digo que a solução não é ouvir suas críticas com paus e pedras nas mãos, mas esclarecer os mau entendidos. Para tanto, é essencial que também conheçamos a história da Análise do Comportamento.

5 - Quais áreas em sua opinião têm muita pesquisa e onde está faltando?

Essa é uma das perguntas mais difíceis de responder. Não sei detalhes sobre a quantas andam as pesquisas nas diversas áreas da Análise do Comportamento e nem teria como saber. Ainda que fosse pesquisador, poderia falar com segurança apenas de minha área. Responderei, então, a partir daquilo que sinto falta e do que vejo colegas de profissão comentando.

A Análise do Comportamento tem se desenvolvido muito no Brasil, em praticamente todas as áreas que consigo pensar agora. No entanto, vejo um desenvolvimento mais representativo em áreas como Educação, Educação Especial, Equivalência de Estímulos, Cultura e Comportamento Verbal. Por outro lado, sinto falta de pesquisas em áreas como Psicopatologia, Intervenções em Grupo e nas áreas de interseção entre a Análise do Comportamento e outras ciências, como a Administração, Neurociências, Antropologia, entre outras.

Outra área em que falta pesquisa e faço questão de destacar é a área de Intervenção Comunitária. Não existe quase nada com referencial Analítico Comportamental que oriente o trabalho de Psicólogos que trabalham em instituições como CRAS, CREAS e outras do gênero. É uma lacuna importante, que deveria ser imediatamente preenchida.

6 - Você vê grandes mudanças daqui um 100 anos na nossa sociedade? Algo parecido com Walden II ou Los Horcones?

Começo com uma citação do Prof. Dr. Roosevelt Starling, profissional que muito admiro: “Para nosso bem ou para nosso mal, o futuro não é acessível ao nosso conhecimento. O profeta não é quem vê o futuro, mas vê o presente, e vê muito bem”.

A frase se encontra no artigo Ciência do Comportamento: perspectivas futuras em numa sociedade mentalista, publicado no periódico “Ciência: Comportamento e Cognição” no ano de 2007, volume 1, nº1, páginas de 57 a 70. No texto, o autor explica que toda e qualquer previsão que alguém pode fazer acerca do futuro diz respeito a uma interpretação baseada naquilo o que ele percebe do presente. Por exemplo, o profeta prevê a chuva observando as nuvens se acumulando, o vento mudando de direção e intensidade, o cheiro do ar, entre outras coisas, para só então dizer: vai chover. Assim, tudo o que eu disser aqui a respeito do futuro, está circunscrito ao que conheço sobre como a sociedade está atualmente e que tipo de mudanças vem ocorrendo.

Hoje existem várias comunidades ao redor do mundo com um funcionamento mais ou menos parecido ao de Los Horcones, mas ainda assim, com alguns aspectos que as distanciam disto. Algumas comunidades do Xingu e da Caatinga brasileira possuem princípios voltados ao ensino de habilidades necessárias e específicas para a sobrevivência naquele contexto; utilização de recursos produzidos ali mesmo e cuidado para que eles não se esgotem. Mas, ao contrário do que é proposto em Walden II, a maioria delas ainda possui uma organização em forma de hierarquia, a divisão das atividades não é planejada, entre outras coisas. Existem várias outras comunidades assim – como no norte da Tailândia e na África, por exemplo – mas em todas, vemos práticas que ainda são isoladas e bastante destoantes daquelas praticadas no “mundo globalizado”, o qual possui contingências fortes que mantém comportamentos incompatíveis a práticas sociais autossustentáveis. Que contingências? Sobre isto sugiro a leitura do artigo O que está errado com a vida cotidiana no mundo ocidental?, de B. F. Skinner.

Olhando para estas contingências, acho difícil uma mudança tão ampla dentro de 100 anos. Olhar para a sociedade como um todo – a nível mundial ou mesmo nacional – e imaginar que ela irá assumir um caráter autossustentável como é proposto Walden II me parece utópico. Entretanto, mudanças vem ocorrendo. As pessoas estão aprendendo a valorizar o que é local, estão voltando a cuidar de si próprias, revendo valores que estimulam a cooperação, entre outras coisas. Então acredito que a tendência é sim melhorar, mas não de modo tão amplo em tão pouco tempo.

7- Poderia indicar um livro?

Temos muita coisa de qualidade em Análise do Comportamento, então é difícil indicar apenas um livro. Assim, peço licença para falar sobre alguns de meus preferidos, sem necessariamente seguir uma hierarquia. Começo falando daqueles que costumo indicar para quem está começando:

- Compreender o Behaviorismo, de Willian M. Baum;

- Princípios Básicos de Análise do Comportamento – Márcio Borges Moreira e Carlos Augusto de Medeiros.

Para quem já tem alguma leitura dos princípios básicos, costumo indicar Skinner. Especialmente o livro “Questões Recentes na Análise Comportamental”, que aborda temas relevantes à Psicologia de modo geral, tais como a idéia de um Eu iniciador; a Cognição; os Sentimentos; a Genética; entre outros. Não costumo indicar o Ciência e Comportamento Humano ou Sobre o Behaviorismo para iniciantes porque acho a leitura de ambos um pouco chata, e a idéia, a princípio, é cativar. Mas acho essencial a leitura de ambos para quem já tem algum repertório de leitura de AC instalado.

Para quem se interessa por clínica, gosto de indicar:

- Clínica Analítico-Comportamental: aspectos teóricos e Práticos – Organizado por Nicodemos Batista Borges e Fernando Albregard Cassas.

- Análise Comportamental Clínica – Aspectos Teóricos e Estudos de Caso – Organizador por Ana Karina C. R. de-Farias.

8- Qual a palavra de incentivo você deixaria para os futuros Analistas do Comportamento?

O que posso sugerir é que estudem incansavelmente os princípios básicos. Conheçam os conceitos fundamentais da abordagem, e a partir disso, procurem ler principalmente sobre aquilo que gostam. Gosta de Filosofia? Procure ler Abib, Ditrich. Gosta de Habilidades Sociais, pesquise pelos trabalhos da Zilda e do Almir Del Prette. Gosta de Psicopatologia? Sugiro Ilma Goulart. Clínica? Sônia Meyer e Roberto Banaco.

Criem uma rotina organizada de estudos. Divida a matéria em pequenas partes e planeje seus estudos; dê pequenos intervalos entre uma parte e outra; faça alguma coisa que gosta nestes intervalos e ao concluir a última etapa do dia; defina um local fixo e um horário fixo para estudar, preferencialmente, antes de se cansar com outras coisas.

 
Agradeço meu amigo e um grande ídolo Esequias Neto, que me concedeu humildemente essa entrevista que considero uma das melhores que já li nos ultimo tempos

Postado por Ítalo Sobrinho

Entrevista com Manoel Rodrigues Neto, Psicologo com Doutorado em Psicologia Aplicada ao Esporte

Manoel Rodrigues Neto

Possui graduação em Psicologia pela Universidade de Brasília (2001), graduação em Bacharel em Psicologia pela Universidade de Brasília (2000), mestrado em Psicologia pela Universidade de Brasília (2003) e doutorado em Psicologia Aplicada ao Esporte - The Ohio State University, EUA (2008). Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia do Esporte e Psicologia do Consumidor, atuando principalmente sob a abordagem da análise do comportamento investigando temas presentes nos contextos da psicologia clínica, nos esportes e atividades físicas.

Introdução retirada e adaptada do currículo lattes para o blog.

1. RP - Quais as possibilidades de atuação do psicólogo do esporte no Brasil?

Manoel - As possibilidades são muitas, pois, diferente do que muitos pensam, a psicologia do esporte não é restrita a esportes de alto rendimento. Na verdade, a psicologia do esporte visa o estudo do comportamento humano em um contexto de atividade física e esporte. Daí podemos incluir educação física escolar, desenvolvimento motor e cognitivo de crianças e adolescentes, iniciação esportiva, atividades físicas para populações específicas (anoréxicos, obesos, idosos, deficientes físicos e intelectuais, etc.), reabilitação de atletas lesionados, reabilitação de indivíduos acidentados que utilizam o esporte ou atividade física para recuperação, desenvolvimento geral de futuros atletas de alto rendimento, esporte (individual e coletivo) de alto rendimento, lidando com a aposentadoria, somente para citar alguns.

No entanto, no Brasil ainda há um preconceito quanto ao trabalho do psicólogo, e na área esportiva isto fica bem evidente. Muitos profissionais da área esportiva (e.g. professores, treinadores, médicos, fisioterapeutas, preparadores físicos, fisiologistas) ainda não compreendem como a psicologia pode auxiliar o desenvolvimento e aperfeiçoamento de indivíduos (atletas ou não) envolvidos com atividades físicas. Falta ainda uma maior divulgação do trabalho do psicólogo do esporte dentro das faculdades de educação física, medicina, fisioterapia, pedagogia e, principalmente, psicologia. No Brasil ainda são poucos os cursos de psicologia que oferecem disciplinas e estágios em psicologia do esporte.

Se tirarmos como exemplos as principais potências mundiais no esporte (e.g. Estados Unidos, Alemanha, França e Cuba), veremos que o trabalho do psicólogo é muito valorizado há algum tempo. Por isso, eu ainda tenho esperanças de que a psicologia do esporte venha a crescer muito no nosso país nos próximos anos com o advento da Copa do Mundo de Futebol em 2014 e dos Jogos Olímpicos de Verão em 2016, ambos no Brasil, além de diversos outros campeonatos mundiais de outras modalidades que estão programados para ocorrerem por aqui nos próximos anos.

2. RP - Como é a intervenção do Analista do Comportamento em Psicologia do Esporte?

Manoel - A intervenção do analista do comportamento no esporte não é diferente de qualquer outro tipo de intervenção deste profissional em outras áreas de atuação (e.g. hospital, organizações, consumidor, escola). Ao trabalhar com o esporte, o analista do comportamento pode exercer duas funções diferentes: a de clínico e a de psicólogo do esporte. Recomenda-se que o mesmo profissional não exerça ambas as funções com o mesmo grupo de atletas. Resumidamente, como psicólogo do esporte, inicialmente, cabe ao profissional compreender os contextos históricos, social, familiar, afetivo e, principalmente, profissional dos atletas (ou praticantes de atividades físicas) visando a melhor adaptação aos ambientes esportivos vivenciados em sessões de treinamento e competições, assim como estabelecer metas individuais e coletivas junto aos atletas. A partir de tais cuidadosas análises, o analista do comportamento deve realizar análises funcionais dos comportamentos alvos, assim como de comportamento s secundários, de modo a avaliar as contingências (reforçadoras ou punitivas) que mantém ou impedem a aquisição de determinados comportamentos. A partir daí, elabora-se intervenções específicas, preferencialmente junto ao treinador, visando facilitar a aquisição de novos repertórios comportamentais ou a extinção de repertórios inadequados aos desempenhos das funções do cliente como atleta ou praticante de atividades físicas. No caso de esportes de alto rendimento, geralmente, recomenda-se que o psicólogo integre a comissão técnica de uma equipe junto ao treinador e preparador físico para que possa acompanhar as sessões de treino, recuperação e competição do cliente.

3. RP - Qual o processo de formação de um Analista do Comportamento na Psicologia do Esporte?

Manoel - No Brasil, infelizmente existem raríssimos cursos de graduação, pós-graduação ou especialização que tenham profissionais habilitados em análise do comportamento aplicada ao esporte. Legalmente, basta o profissional ser formado em psicologia e filiado junto ao Conselho de Psicologia. No entanto, recomenda-se veementemente uma boa formação em análise do comportamento, com cursos de especialização em análise do comportamento e esporte. O profissional deve, necessariamente, gostar de esportes e atividades físicas (mas não necessariamente praticá-las) entender as regras, a cultura esportiva, os contextos sócio-históricos de cada esporte trabalhado, etc. Seria muito interessante também possuir conhecimentos sobre anatomia humana, fisiologia do esporte, cultura e esporte, reabilitação esportiva, iniciação esportiva, etc.

4. RP - Quanta em média ganha um psicólogo do esporte no Brasil?

Manoel - Varia muito. Depende do trabalho, local, experiência do profissional, e do público alvo.

5. RP - Dentro da psicologia do esporte é possível a pratica Clínica?

Manoel - Sim, mas não é recomendado, pois a prática clínica vai, muito provavelmente, interferir na atuação do psicólogo no âmbito esportivo do cliente.

6. ‎RP - "Hoje ainda, no futebol brasileiro, o psicólogo do esporte é olhado com maus olhos por alguns técnicos e jogadores, como o senhor encara este fato? O que o profissional psicólogo poderá fazer para ganhar este espaço no futebol?
Manoel - Realmente, no Brasil, as possibilidades de trabalho e aceitação do psicólogo são menores no futebol em comparação a outros esportes coletivos (e.g. vôlei, handebol, basquete) e individuais (e.g. atletismo, ginástica, judô). Primeiramente, percebe-se a falta educação (conhecimento) para os profissionais envolvidos com o futebol. Estudos, assim como observações informais têm mostrado o quanto ignorantes estes profissionais são a respeito do papel do psicólogo. Muitos acham que o psicólogo é somente para quem tem problemas mentais (i.e. loucos), enquanto outros temem que o psicólogo possa estar tentando desempenhar a função de treinador ou preparador físico. Enfim, falta uma maior divulgação do trabalho do psicólogo na área esportiva e de atividades físicas, principalmente nas faculdades de psicologia, educação física, nutrição, fisioterapia e medicina, assim como em escolas do ensino médio (futuros profissionais) e clubes esportivos (profissionais do presente).

7. RP - Quais principais competências emocionais a seres analisadas funcionalmente em atletas de alto rendimento?
Manoel - Depende muito do enfoque dado pelo psicólogo junto às necessidades do atleta perante os desempenhos nas sessões de treino e conseqüentes generalizações de tais desempenhos em competições, além de fatores individuais (e.g. família, relacionamento afetivo, fator financeiro).

8. RP - Tem algum livro que você possa indicar?

Manoel - Tenho vários, mas depende do tema a ser abordado, a abordagem teórica (análise do comportamento) e da capacidade de leitura em língua estrangeira (i.e. inglês, espanhol ou francês).

Agradeço pela atenção do Dr. Manoel Rodrigues Neto em ceder o seu tempo para responder as dúvidas dos leitores.
OBS: (As questões foram feitas pelos leitores do Reforçado Positivamente)
Postado por Ítalo Sobrinho

Entrevista com Alessandro Vieira dos Reis fundador do Olhar Beheca

Alessandro foi o fundador do Olhar Beheca, é o blog que eu sempre acompanho e que me deu incentivo para fazer o meu Reforçado Positivamente. Perguntei se poderia fazer uma entrevista e ele aceitou mas antes vamos a perfil do rapaz.

Retirado do Blog dele o perfil, e adaptado para o meu blog

Quem é ele

Alessandro Vieira dos Reis, tem 30 anos, mora em Florianópolis-SC. Graduado em Psicologia pela UFSC em 2004. Alguns hobbies: Boxe Tailandês, flauta transversal, Literatura. É vegetariano (é isso que significa o "V" na foto dele no blog). E gosta de um bom snooker bar com Rock anos 60-70, ou jazz, como programa de sexta

Trabalha como Game Designer desenvolvendo jogos para a área da saúde

E escreve mensalmente para a Revista Psique


RP - O "Olhar Beheca" é um dos blog com mais atualizações e seguidores sobre análise do comportamento que eu conheço, sem contar que foi o que me incentivou a fazer o meu blog "Reforçado Positivamente". O que te levou a fazer um blog?

Alessandro - Pode soar estranho, mas criei o blog para eu mesmo estudar. Quando me formei em Psicologia, pela UFSC em 2004.1, não eu tinha uma vaga orientação cognitivista, com influência de bestsellers sobre o cérebro. Foi cerca de 2 anos depois que mudei de idéia e aderir ao Comportamentalismo, por influência da comunidade "Análise do Comportamento", no Orkut. Especialmente do Zé e do Thomas.

Criei o blog porque eu queria ter onde arquivar meus estudos sobre Análise do Comportamento, e pensei em publicá-los. Essa foi a motivação inicial. Depois as coisas mudaram. Passei a gerir o blog porque vi que estava sendo lido por muitas pessoas (as vezes 700 por dia) e isso me motivava a querer dizer algo bom para todas.

RP - É fácil hoje em dia você ligar uma televisão e ver psicanalistas, pessoas que não conhecem nada sobre psicologia provavelmente já ouviram falar de Freud, em todos os lugares se vê muito sobre Psicanalise.O que você acha que é preciso ser feito para se ter uma maior divulgação das outras abordagens entre elas o Behaviorismo para o publico leigo e para pessoas da mídia que parecem só buscar Psicanalistas?

Alessandro - Não acredito em divulgação pelo discurso. O povo acha um porre discurso de cientista, e dou razão a eles. São poucos os cientistas que sabem se comunicar com leigos (No Brasil, o físico Marcelo Gleiser é uma feliz exceção).

Por isso não levo a sério quando dizem por aí que precisamos usar uma linguagem assim e assado para passar os conceitos cientificos corretos para o público, assim ele nos entenderá e nos dará valor.

O público, via de regra, não quer linguagem técnica e nem ter que entender Ciência (sabem como ligar o computador, mas não entendem e nem querem entender a Computação).

O que funciona para divulgar não é discurso, falação. É mostrar resultados. O povo se ganha pelos olhos, não pelos ouvidos. Você acha que a Física ou a Biologia precisaram se divulgar pelo discurso? Claro que não. No lugar disso, criaram tecnologias que falavam por si mesmas.
P.e., eu desenvolvo videogames para saúde. Sempre que posso digo em entrevistas que só faço o que faço porque aplico Análise do Comportamento.

O pessoal da AC deve mostrar resultados para a sociedade. Aí será respeitado.

RP - Qual a área da Análise do Comportamento que você acha que tem sido mais estuda hoje em dia?

Alessandro - Diria que das clássicas, a pesquisa em laboratório, com animais. O que é um problema, porque Skinner, há uns 50 anos, já dizia que comportamento social e verbal eram as fronteiras futuras (para hoje!) da Análise do Comportamento.

Fora essas duas áreas, ainda aposto em Tecnologias Digitais (minha área, por sinal), e algo que misture Clínica com Social-Comunitária.

RP - A AC tem crescido hoje em dia ou não? comentem um pouco a respeito sobre isso

Alessandro - Há mais congressos, mais encontros e todo tipo de eventos. Quando eu era graduando, há 10 anos, não tinha nada disso. Na minha turma, dizer que você gostava de AC era assinar o atestado de óbito para o 'pensamento livre'.

Não tenho estatísticas, mas já ouvi dizer que o número de Mestrandos em AC cresce muito, enquanto que graduandos, de forma respeitável. Uma coisa eu noto, pode ser apenas falha de percepção minha, mas a esmagadora maioria de pessoas da graduação que eu conheço que aderiram a AC são rapazes. Conheço algumas garotas da turma AC, também, e são geninais. Mas são minoria. Acho que isso daria uma boa pesquisa...

Muitos graduandos não aderem a AC porque os professores ensinam essa matéria de forma errada, muitos de má-fé mesmo. Por isso que tem muito formando em Psicologia que odeia Skinner, mas não diferenciar Behaviorismo Metodológico de Radical (Ou seja, odeia algo que não conhece).

Para muitos é duro se tornar um AC. Ser um partidário da filosofia chamada "Comportamentalismo" é, de fato, equivalente a ser um ateu em uma convenção de religiões. Todo mundo acredita literalmente em coisas metafísicas como alma, mente, ego, etc, e você lá, dizendo que isso tudo é apenas metáfora ou ilusões vívidas, mal entendidos.

RP - Indique um livro que você mais gosta para os nossos leitores

Alessandro - "Compreender o Behaviorismo", do Baum.

RP: Deixe uma palavra de incentivo para os futuros Analistas do Comportamento

Alessandro: O Comportamentalismo é a única abordagem que reúne 3 requisitos que considero muito positivos:

- o pragmatismo (Uma idéia tem que funcionar e gerar resultados, senão é só um passatempo intelectual)

- a cientificidade (Criteriosidade e rigor sempre ajudam)

- o otimismo (Sempre é possível mudar as coisas para melhor!)

Se você é uma pessoa que quer ver soluções para os problemas, e quer batalhar de forma criteriosa e rigorosa para resolver até mesmo os mais espinhosos, então você precisa estudar Análise do Comportamento a fundo (Não só o que as pessoas que leram os críticos dizem).

Publicado por Ítalo Sobrinho

Entrevista de B. F. Skinner a revista Veja (em 1974)


VEJA – EDITORA ABRIL – nº 316 – 25 DE SETEMBRO DE 1974PÁGINAS 3 a 6.ENTREVISTA: B. F. SKINNERUM PENSAMENTO POLÊMICOPARA ALGUNS, UM CHARLATÃO,E PARA OUTROS,MAIS IMPORTANTE QUE FREUD


Por Hugo Estenssoro
Dificilmente o nome de B. F. Skinner poderá provocar, no leigo, emoções de qualquer espécie. No mundo cientifico, porém, e especialmente no campo da psicologia, Skinner é sinônimo de polêmica virulenta. Polêmica sem amenidades nem deferências, na qual os campos estão brutalmente divididos em preto e branco.Para a maioria dos membros da Associação Psicológica Americana, de acordo com uma enquête feita em 1970, B. F. Skinner tornou-se a figura mais importante das ciências da mente no século XX – relegando Sigmund Freud ao segundo lugar. Fora dos Estados Unidos, todavia, ele é considerado um pseudocientista, capaz até mesmo de poluir a reputação da autentica pesquisa. Seus admiradores e seguidores vêem nele um ousado pensador arquitentando o mundo melhor do amanhã. Seus detratores o acusam de charlatão com suspeitas, e perigosas, feições fascistas.A controvertida carreira de B. F. (Burhus Frederick) Skinner começou obscuramente em 1948, com a publicação de um romance utópico, “Walden Two”(que com o tempo se converteria em livro recomendado nas universidades e mesmo num best seller de 23 edições). E somente cinco anos depois, com “Science and Human Behavior”, ele se elevaria ao posto de principal porta-voz da escola psicológica “behaviorista”, cujo objetivo é “considerar apenas os fatos que podem ser objetivamente observados no comportamento das pessoas em relação com seu meio ambiente”.Sete livros após, já com ampla reputação, instalado na cátedra de psicologia Edgar Pierce da Universidade de Harvard, Skinner escreveria o mais debatido de seus trabalhos: “Beyond Freedom and Dignity”(1972). Desafiadoramente, o titulo propunha justamente o que os críticos de Skinner haviam denunciado como resultado mais nocivo de suas teorias: um mundo (feliz, segundo Skinner, mas de pesadelo, segundo seus críticos) de homens controlados por manipulações psicológicas, “além da liberdade e da dignidade”. Embora aclamada em algumas publicações especializadas, a obra causou incontrolável revolta e uma avalancha de criticas esmagadoras – especialmente em um longo ensaio de Noam Chomski, um dos mais importantes pensadores americanos da atualidade. E Skinner decidiu publicar um novo livro pra se justificar. Sob o discreto título de “About Behaviorism”, ele começa por enunciar as vinte criticas mais freqüentemente feitas a suas idéias – e passa em seguida a refuta-las.É isso que faz, também, em parte na seguinte entrevista realizada em seu despojado escritório em Harvard. Aos 69 anos, Skinner conserva um orgulho sensitivo e nervoso que se reflete visivelmente em seu físico – ao mesmo tempo grande e frágil. Suas respostas têm sempre uma pontinha de impaciência.O homem, eliminadoDo campo das idéias


VEJA – Que fatores o levaram a formular suas teorias psicológicas?


SKINNER – O ponto de partida, acredito, foi a investigação das formas em que o comportamento – ao longo da escala zoológica – é afetado pelo meio ambiente. Minhas pesquisas, nesta direção têm ocupado mais de quarenta anos de minha vida. Passando de meios ambientes simples para outros gradualmente mais complexos, tentei observar como estes fatores afetam o comportamento animal. E, de maneira lenta mas segura, consegui progredir a ponto de explicar que o comportamento animal – tanto o humano quanto o de outras espécies – é totalmente definido pelo código genético das espécies. Isso se prova, naturalmente, através da evolução das espécies ao longo de milhões de anos, e da historia individual de cada membro de uma determinada espécie durante sua vida – a que deve somar-se, ainda, o meio ambiente em que se desenvolveram suas características individuais.


VEJA – Não seria uma visão relativamente tradicional de homem?


SKINNER – Só se considerarmos a questão superficialmente. A concepção tradicional de homem, na maior parte dos sistemas de idéias, é a de que ele mesmo se torna responsável por tudo o que faz. Certos sentimentos que ele exprime, os processos mentais eu o levam ao nível das idéias, e assim por diante. Estes conceitos, porém, têm sido superados pelo pensamento e pela ciência do nosso tempo. A “pessoa” que reside “dentro” do homem tem sido substituída pela história ambiental do individuo. Não mais falamos num ser originador, mas na sua história em relação ao ambiente ou se preferir, o mundo. Isso significa, naturalmente, que o homem como um ser criativo, tem sido eliminado do campo das idéias. Equivale a dizer que a visão tradicional do “homem autônomo”, dono de si mesmo, tem sido rejeitada. Na realidade, a idéia de autonomia do homem não passa de silogismo incorreto: dizer que uma pessoa age como quer agir não é uma verdadeira explicação de seu comportamento. Pois ainda não sabemos por que ela quis agir desta e não daquela maneira. Isso nos leva diretamente a examinar o meio ambiente como causa, como fonte de controle.Divagações sobre a lutaPela liberdade


VEJA – Seria esta, então, a origem de seu conceito pouco ortodoxo sobre a liberdade humana: o meio ambiente como fonte de controle do comportamento?


SKINNER – No caso da liberdade, acredito que a chamada “luta pela liberdade” tem sido, ao longo da nossa historia, a soma dos esforços do homem para escapar das condições adversas do meio ambiente. Isto é, das condições de vida perigosas, punitivas, irritantes, ou, para usar um termo geral, das condições adversas que determinam nossa conduta e nossas decisões. Não gostamos, por exemplo, de estar sujeitos a castigos – justos ou não – e portanto fugimos deles, ou nos comportamos de maneira que possamos evita-lo. E, quando conseguimos faze-lo, acreditamos ser livres e ter tomado a decisão de acordo com nossos desejos mais profundos. Mas o que temos descoberto em nossos estudos é que, quando uma pessoa está fazendo supostamente deseja fazer, na realidade não está fazendo o que quer. E, sim, está sendo forçada a fazê-lo por uma série de condicionamentos específicos. Nas experiências de laboratório feitas por mim, na década de 30, as conclusões eram claras: quando um determinado tipo de comportamento é castigado, as probabilidades de que esse tipo de comportamento se repita não se reduzidas de maneira alguma. Apenas se consegue, simplesmente, dar razoes ao sujeito da experiência para tratar de evitar o castigo não repetindo seus atos. É este o ponto de partida dos conceitos propostos no meu livro “Além da Liberdade e da Dignidade”. Nele eu assinalo que, se continuarmos a castigar nosso semelhantes em nome do conceito de “homem autônomo”, simplesmente estaremos perpetuando o sistema de provocar tipos de comportamento desejáveis através de técnicas punitivas. O problema é que temos medo de procurar soluções diferentes – soluções que implicariam a aceitação de que é o meio ambiente a raiz causal do comportamento e não a moral tradicional.


VEJA – Seus críticos assinalam que seu sistema de controle do comportamento apresenta um grave problema: se é tão efetivo, ou mais, quanto as causas tradicionais do nosso comportamento, há perigo de quem usará esse sistema e para que fins.


SKINNER – A questão, realmente, não é quem poderia usar o sistema. O que devemos perguntar-nos é: sob que condições o homem pode usar e abusar do poder, qualquer que seja a sua origem? Portanto, o objeto de nossa investigação deverá ser o todo da nossa estrutura cultural, pois ela torna possível que o poder, inerente à ciência do comportamento, seja usado desta ou daquela maneira. O meu ideal é um novo tipo de cultura e não um novo tipo de pessoa. O fator essencial está em estabelecer condições estruturais que tornem impossível, para qualquer pessoa, obter um poder absoluto. Tradicionalmente, historicamente, temos nos oposto aos tiranos e déspotas através de um sistema de controle do controle – o que é uma solução aceitável até certo ponto. Afinal, é esta a base da teoria da democracia. O povo controla seus governantes através de seus votos, ao mesmo tempo que os governantes controlam o povo através das leis. O problema, na minha opinião, é que esse sistema cultural pode não ser permanentemente viável, pois não estamos considerando a evolução das estruturas deste sistema e sua capacidade de enfrentar emergências futuras.


VEJA – Poderia nos dar alguns exemplos concretos da “tecnologia do comportamento” proposta pelo senhor para a criação de uma estrutura cultural controlada cientificamente?


SKINNER – O melhor exemplo é, sem duvida, o que podemos tirar do nosso sistema educativo. Normalmente, no esquema tradicional do processo educacional, da escola primaria até o ingresso na universidade, o estudante assiste às aulas só porque não ousa fazer o contrario, ou então é punido. Nossa educação é obrigatória, não damos ao estudante razões positivas para estudar; o resultado é que ele foge da aula sempre que pode. Seu objetivo é sair da escola o mais rapidamente. Mas também parece possível dar aos estudantes razões positivas, e não punitivas, para assistir às aulas. Organizar, por exemplo, um sistema de recompensas de maneira que o estudante deseje ir todos os dias à escola e aproveite sua educação. Este objetivo pode ser obtido de diversas formas. E a primeira, naturalmente, é encontrar os fatores que podem impulsioná-lo a procurar tal satisfação no estudo. Por exemplo, comida especial na hora do lanche. Ou privilégios de outras espécies, capazes de assegurar que o estudante vira a obter todos os benefícios, desde que guarde um comportamento satisfatório tato do ponto de vista pessoal como da comunidade na qual ele vive e viverá.


VEJA – O senhor é conhecido, entre outras coisas, pela sua famosa “maquina de ensinar”. Poderia explicar-nos os seus princípios gerais?


SKINNER – Embora tenha sido eu mesmo quem a batizou assim, o nome “maquina de ensinar” tem causado certa confusão. Por outra parte, se maquinas que cosem ou lavam são chamadas, respectivamente, maquinas de coser e de lavar, não vejo porque não seguir usando o termo. Feita essa observação, entre parênteses, minha “maquina de ensinar” consiste, muito simplesmente, em programar o material didático de maneira que o estudante seja recompensado pelos seus esforços não no fim do curso ou de seus estudos – o que é causa de baixa produtividade –, mas em cada uma das etapas de sua aprendizagem. Isto é, ao aprender uma lição, o aluno não é recompensado pelos seus esforços um mês depois, quando recebe a nota X, mas enquanto está trabalhando na lição. Se um aluno pode ver a resposta de um problema matemático apenas quando terminou de resolvê-lo, ele é estimulado por vários fatores: o triunfo de ter resolvido o problema corretamente ou o descobrimento da resposta correta. Se ele fica esperando a nota do professor, eu pode ter um valor punitivo, ele não tem verdadeiras razoes positivas para se interessas por problemas matemáticos. É fundamental entender que o organismo humano, em relação com o seu comportamento, é reforçado pela sua capacidade de efetividade.Para as crianças, umEstimulo positivo


VEJA – Poderia descrever a metodologia de suas pesquisas?


SKINNER – Bem, eu não faço mais pesquisas pessoalmente. Limito-me a usar o material produzido por gente mais jovem. Acho que já dei minha contribuição e estou em idade de tirar conclusões. De qualquer modo, uma experiência típica, das usadas no meu trabalho, pode ser descrita como um espaço determinado, sob completo controle do laboratorista. Este espaço contém fontes de estímulo que podem ser aplicadas ou retiradas: correntes elétricas, temperaturas variáveis, sistemas de alimentação, e assim por diante. Naturalmente, há também instrumentos para registrar as modalidades de comportamento. E, por fim, temos o que se chama “operandum”. Isto é, algo que o sujeito da experiência possa operar: uma chave, uma alavanca, ou outra coisa apropriada. O equipamento – num laboratório moderno – é altamente desenvolvido. Em termos gerais, nosso interesse fundamental está em saber a freqüência com que um organismo efetua este ou aquele ato, e assim medir a probabilidade de um determinado tipo de comportamento acontecer. A um nível superior, em pesquisas feitas com crianças (num programa em que as ensinamos a ler), elas, por exemplo, escutam uma gravação com determinadas instruções. Na página aberta de seu livro, suponhamos, poderia haver o desenho de um rato e, ao lado, duas palavras: “rato” e “mato”, unidas ao desenho com duas linhas A crianças deve marcar uma das linhas com uma caneta especial e, se a anotação for correta – aquela que leva a palavra rato -, a linha ganhará uma cor especial. Isto serve como um “reforço” imediato ao desejo de aprender da criança. O que nos leva, outra vez, ao sistema de “educação programada” desenvolvido por mim, do qual falamos anteriormente: o estudante sabe imediatamente se está certo ou não, o que cria um estimulo positivo.Os perigos do sistemaPunitivo


VEJA – Mas sistemas “punitivos” em prática não são igualmente efetivos? Afinal, os produtos do sistema educacional britânico vêm, invariavelmente, desses sistemas – e têm, uma média respeitável de capacidade profissional e intelectual.


SKINNER – Em certa medida são efetivos, sem dúvida alguma. O problema não é sua eficiência, mas o fato de que, ao lado de sua eficácia, esses sistemas proporcionam também efeitos indesejáveis. Por exemplo, quando alguém consegue se revoltar contra eles, não é sem trauma: e daí surgem os atos de violência, o crime, a apatia social. E isso pode ser visto em todo lugar entre os estudantes de hoje. Escapam da escola sempre que podem fazê-lo, atacam seus professores ou vandalizam a sala de aula – ou simplesmente tornam-se apáticos e não fazem nada. Só reagem a motivações negativas, como evitar um castigo. Não acredito que esta seja a melhor maneira de fazer as coisas. Se usarmos, ao contrario, “reforços positivos”, além de proporcionar educação – radicalmente oposta. O estudante passa a gostar de seus estudos.


VEJA – Ao contrário das condições de laboratório, o meio ambiente do nosso dia-a-dia é infinitamente complexo. Há alguma possibilidade de controlá-lo efetivamente?


SKINNER – Ocorre que nosso meio ambiente, em boa medida, já está controlado por muitos fatores, todos eles muito efetivos, mesmo se nem sempre o percebemos. Mas vamos para os exemplos: o meio ambiente industrial e comercial é controlado pelo sistema de incentivos – salários, negociações entre os empregados e empregadores, promoções. A mesma coisa na escola, com o sistema de diplomas, o uso da disciplina e outros métodos. A família, ao mesmo tempo, controla o meio ambiente íntimo da criança. Tais controles, naturalmente, não servem sempre para nossos propósitos. Mas é importante reconhecer que eles existem. Só assim podemos modificá-los de acordo com nossas necessidades e para nosso beneficio.


VEJA – Mas todos esses controles são independentes e, na maioria dos casos, conflitivos. Será possível chegar a coordená-los no meio de sua infinita complexidade?


SKINNER – É possível, sim, até certo ponto. Por exemplo, não é possível que os pais de uma criança comum sejam capazes de estabelecer condições de precisão absoluta – como num laboratório. Mas podemos lhes fornecer suficientes informações e conselhos para que consigam certos controles-chaves capazes de fazê-los dirigir sua criança a um comportamento ideal. O controle de um meio ambiente, com o propósito de provocar determinado comportamento, não precisa ser exato como o mecanismo de um relógio. Podemos obter resultados satisfatórios com ajustes de caráter apenas geral. Justamente, um dos grandes – e mais comuns – mal-entendidos a respeito de minhas idéias é o de que eu estou sugerindo o estabelecimento de controles de comportamento. Ora, nada menos certo: eu estou apenas advogando por uma racionalização e planejamento dos controles existentes, de acordo com a ciência do comportamento que estamos tentando desenvolver. Não que eu queira abolir a liberdade – no conceito humanista da palavra. Limito-me a assinalar que, na realidade, essa liberdade é ilusória, e essa ilusão tem conseqüências muito graves: não nos permite controlar os elementos que nos controlam.


VEJA – Um dos aspectos mais perturbadores de suas idéias é o papel do artista e do criador numa sociedade de comportamento controlado. Será possível produzir arte – ou arte original – nas condições impostas por uma sociedade deste tipo?


SKINNER – Certamente que sim. Você me faz essa pergunta em função do mal-entendido de que falei anteriormente: nossa sociedade atual não está livre de controles. Simplesmente não tem o tipo de controles – cientificamente organizados – que nos permitiriam uma sociedade melhor. Ora, se nossos artistas podem produzir obras de arte sob influência dos controles existentes, que não são os melhores possíveis, por que não poderão produzir grande arte sob controles de outro tipo, melhores?Um povo à beiraDa fome




VEJA – Algumas pessoas citam sistemas comunistas como exemplos de sociedades de “comportamento controlado”. Qual a sua opinião a respeito?


SKINNER – Os comunistas, pelo menos aqueles países que hoje são nominalmente comunistas, não praticam o que pregam. Mesmo assim, teoricamente, são sociedades de comportamento controlado. Mas, como eu disse referindo-me a outro tipo, oposto, de sociedade, a capitalista, a existência de controles não significa grande coisa. Todas as sociedades têm controles: a questão consiste, repito, em usar esses controles em nosso beneficio. Os controles das sociedades comunistas diferem dos controles dos países capitalistas só na direção oposta. Mas encontram-se no mesmo nível, em termos da ciência do comportamento, que os controles capitalistas. Há só uma diferença importante, e no plano teórico. Se um país como a União Soviética chegasse a realizar suas promessas mais idealísticas, haveria uma catástrofe. Kruschev prometeu ao povo soviético casa, comida e roupas gratuitas para 1980. Se isso jamais chegar a converter-se em realidade, os soviéticos não terão qualquer incentivo para trabalhar. Será o pólo oposto do caso da sociedade inglesa na época do próprio Karl Marx. Acreditava-se então que, para que o povo trabalhasse efetivamente, levando a produção ao Máximo, era necessário mantê-lo constantemente a beira da fome. Talvez essa situação extrema de controle negativo tenha influenciado Marx em sua concepção de um sistema sem incentivos imediatos (porque trabalhar “para o bem comum” não é um incentivo suficiente).
Postado por Ítalo Sobrinho

Entrevista de B. F. Skinner a revista Veja (em 1983)



Entrevista: B.F. SKINNER
Revista Veja, 15 de junho de 1983 estado de alerta máximo
O grande papa da ciência do comportamento identifica em problemas como a ameaça nuclear ou a superpopulação perigos inéditos para o mundo
Por Selma Santa Cruz
Skinner: É preciso fazer algo com suas teorias pioneiras sobre o comportamento humano e as possibilidades de seu controle, nos anos 50 e 60, ele não ficou apenas célebre: chegou a ser comparado a Freud. Professor da Universidade de Harvard e expoente máximo da psicologia americana, B.F. Skinner (B. de Burrhus e F. de Frederic) é o grande papa da chamada “ciência do comportamento”, o behaviorismo. Em síntese, suas idéias sugerem que tudo pode ser perfeitamente previsível e, portanto, perfeitamente controlável no comportamento humano. Não é o indivíduo que controla o meio ambiente, e sim o contrário – este é o ponto de partida de sua teoria. Sendo assim, o homem reagiria a estímulos – da mesma forma que um rato, num laboratório, apresenta reações de medo ou satisfação, violência ou docilidade, desde que adequadamente estimulado. As idéias de Skinner propunham uma revolução nas ciências humanas – e jamais, desde que foram enunciadas, deixaram de provocar polêmicas. Alguns saudaram, na sua sugestão de que o indivíduo poderia ser induzido a agir de forma positiva ou negativa, uma vez convenientemente levado a uma ou outra direção, a possibilidade de surgimento de um homem novo. Outros, porém, logo suspeitaram nas técnicas de controle por ele formuladas um ranço totalitário capaz de produzir regimes tirânicos.Nos últimos meses, e agora já quase lendário aos 79 anos, B.F. Skinner voltou a freqüentar as paginas dos jornais com uma mensagem alarmista: a espécie humana, repete ele, caminha para a extinção. Ao mesmo tempo, ele cativa audiências ao aplicar sua controvertida técnica de controle do comportamento contra um inimigo universalmente detestado: a velhice, tema de seu ultimo livro, prestes a ser publicado, Vivendo bem a velhice. Skinner, na verdade, apresenta-se como a melhor propaganda do método que anuncia: quase octogenário, ele ainda trabalha diariamente em seu escritório de Harvard e viaja pelo mundo todo para conferências. Pode ser esta a última chance do doente


VEJA- O senhor sempre afirmou que o avanço nas ciências humanas, sobretudo na psicologia, abriria caminho para uma civilização mais avançada, quase utópica, mas, ultimamente, tem parecido muito pessimista. O que mudou?


SKINNER- Ainda acredito que as técnicas de mudança de comportamento permitem um progresso grande, particularmente em áreas específicas, como o uso da educação programada nas escolas para acelerar a aprendizagem, a criação de sistemas de incentivo na indústria para aumentar a produtividade e, naturalmente, em psicoterapia. Nesse sentido, o behaviorismo, ao esclarecer como o homem age em função de estímulos positivos ou negativos, pode ter um impacto positivo, no futuro imediato, contribuindo para uma sociedade mais bem informada, rica e satisfeita. Mas estamos ameaçados pelas conseqüências que nossas ações atuais, como corpo social, terão no futuro distante. E é por isso que estou tão pessimista. O mundo está caminhando para o desastre, confrontando com 
problemas em escala inédita.

VEJA- Que problemas são esses?

SKINNER- A superpopulação, por exemplo. Parece óbvio para qualquer pessoa sensata que há um limite para a quantidade de seres humanos que podem viver no planeta, mas não se está fazendo um esforço sério para lidar com a questão. Temos 4,5 bilhões de pessoas, pelo menos metade das quais subnutridas – e, como não estamos conseguindo resolver o problema delas, nada indica que os outros bilhões que virão terão sorte muito diferente. Estamos destruindo o meio ambiente, consumindo recursos naturais em ritmo mais rápido do que eles se repõem. Todos os estudos científicos mostram que estas práticas, hoje, levam ao desastre, mas não estamos tentando seriamente promover mudanças. E, pior de tudo, há a ameaça nuclear. È mais do que óbvia a necessidade de conter o arsenal nuclear, mas um balanço das últimas décadas mostra que não estamos tendo sucesso nesse sentido. Pelo contrário, do jeito que as coisas vão, parece cada vez mais improvável que as potências 
cedam na resolução de conflitos.

VEJA- Ao longo da história, a raça humana superou variadas espécies de conjunturas desfavoráveis que pareciam, à época, insolúveis. Por que não resolveríamos os problemas, desta vez
?

SKINNER- Este argumento é como consolar um doente que está morrendo lembrando que, afinal, ele esteve doente outras vezes e sempre se recuperou. O mundo pode estar chegando a uma condição única, em que pela primeira vez, na história, está de fato morrendo – e não estamos fazendo nada para salvá-lo.O homem nada faz sem estímulos


VEJA- Movimentos como o pacifista e o ecológico não mostram uma consciência nova sobre os problemas que o senhor aponta? Já não estaria havendo algum progresso, sobretudo na preservação do meio ambiente?


SKINNER- Alguns setores da população, o chamado “quarto estado”, que engloba cientistas, professores, profissionais da informação e intelectuais em geral – em relação aos três estados tradicionalmente dominantes: governo, igreja e empresariado -, realmente dão sinais de consciência do problema. Fazem-se passeatas, manifestos. Mas não é assim que se consegue mudar o comportamento de 4,5 bilhões de pessoas. Se você falar com a maioria dos acadêmicos aqui em Cambridge, eles reconhecerão que é um absurdo uma pessoa ir de carro particular até Boston, desperdiçando gasolina e poluindo o ar, quando poderia muito bem tomar o metrô. Mas o único jeito de fazer com que as pessoas realmente tomassem o metrô seria se o governo as induzisse a isto, cobrando pedágios bem mais caros no túnel para Boston, por exemplo. Porque a única forma de promover as mudanças necessárias e com a rapidez necessária – isto é, controlar o crescimento demográfico, promover estilos de vida mais simples, com menos desperdício e prejuízo para o meio ambiente -, seria se a indústria, a igreja ou o governo, os que têm poder, se dispusessem a implementá-las.


VEJA- Mas pelo menos nos casos das democracias, não é verdade que os governos e mesmo a indústria costumam ser induzidos a promover mudanças quando elas se tornam indispensáveis?


SKINNER- Acho que os detentores do poder econômico, os que têm dinheiro, vão continuar a usá-lo para produzir lucros rápidos, sem qualquer preocupação com os problemas globais. As coisas a este nível são tão pouco planejadas que um país como o México pode ir à bancarrota de repente, e pegar o mundo financeiro desprevenido. Quanto aos políticos, eles estão sempre preocupados com a próxima eleição e, portanto, indispostos a pregar sacrifícios hoje, para preservar o futuro. Durante o momento mais crítico da crise energética, alguns países impuseram limites no consumo de petróleo, mas, tão logo passada a emergência, voltamos aos velhos hábitos, embora a ameaça de escassez continue presente. Deveríamos ter leis severas para favorecer o transporte público, manter baixa a temperatura dos aquecedores no inverno e limitar o uso dos aparelhos de ar-condicionado no verão – isto em base permanente. Mas o problema é que os políticos não querem o ônus de um programa necessariamente impopular e nossa sociedade está voltada para a gratificação imediata, o conforto absoluto. Chegamos a um ponto em que tornou-se imperativo tomar medidas para preservar o planeta e a espécie. E não estamos fazendo isto.


VEJA- Mas existe alguma fórmula para fazer com que as pessoas aceitem o sacrifício? É possível sensibilizá-las para este futuro distante?


SKINNER- É característico da espécie humana agir em função apenas do futuro mais próximo e da experiência passada. Porque o futuro mais distante não existe, no sentido de que não foi experimentando. Ninguém toma uma estrada desconhecida sem razão. Se entrar nela é porque lhe disseram que tem paisagem bonita, ou que tem alguma vantagem sobre as outras. Da mesma forma, o homem não faz nada sem uma expectativa, um estímulo que encoraje ou desencoraje seu comportamento.Sobretudo quando é algo para o futuro distante. Instituições como a igreja, governo e indústria sempre usaram estes reforços de comportamento para fazer com que as pessoas trabalhassem para o futuro. A indústria acena com a recompensa do salário para que seus empregados produzam. Governo e religião sempre souberam manipular a técnica do prêmio ou castigo para induzir as pessoas a dar a vida por suas causas. Infelizmente, o futuro destas instituições não coincide necessariamente com o interesse da preservação da espécie. Há um consenso de que é preciso conter o crescimento demográfico. Mas o empresariado não se importa – crescimento zero é péssimo para o mercado. Os governos também não se importam – a força dos exércitos depende da disponibilidade de recrutas. E, como já disse, os políticos estão mais preocupados é com a próxima eleição.Males e exageros da “liberdade nervosa”


VEJA- Pelo que o senhor diz seria preciso impor estas mudanças, já que elas não são populares. Mas isto não extinguiria um regime autoritário?


SKINNER- Quando escrevi meu livro Além da liberdade e da dignidade, há dez anos, fui acusado de estar descartando os valores mais caros da civilização, propondo a manipulação das massas Mas isto era uma simplificação grosseira. O que digo é que a satisfação material é um valor perigoso, e as sociedades afluentes foram bem-sucedidas demais em garanti-la. Nas sociedades avançadas, elevou-se o direito individual a valor absoluto – o direito, por exemplo, de se consumir quanto se deseja, sem interferências, mesmo que estes padrões de consumo sejam em detrimento do meio ambiente e do todo social. Nas sociedades mais avançadas, praticamente acabamos com as formas de controle punitivo. Em educação somos extremamente complacentes, a justiça dá sentenças generosas para criminosos, prisões são consideradas uma afronta à dignidade humana. Acho que houve uma evolução positiva, não estou defendendo a volta da palmatória ou da guilhotina, mas acho que há um exagero neste conceito de direito do indivíduo. Não se trata de abrir mão da liberdade, mas quando se começa a falar em direito dos animais, direito de se andar de motocicleta sem capacete, direito de usar carros poluentes ou direito dos fetos, há sem dúvida um exagero. É o que chamo de “Libertas Nervosa”.


VEJA- Como assim?


SKINNER- Trata-se de uma comparação com a anorexia nervosa, a doença em que a pessoa, para perder peso, faz uma dieta, mas não consegue parar quando atinge o equilíbrio e continua a dieta até a desnutrição. Não digo que as sociedades afluentes tenham que abrir mão do respeito à liberdade e dignidade individuais, mas que, levados ao extremo, estes valores podem ameaçar a sobrevivência da sociedade como um todo. Se você elege em direito absoluto do indivíduo ter quantos filhos quiser, poluir a atmosfera a seu bel-prazer ou consumir recursos não renováveis no ritmo que desejar, estamos bloqueando nossa possibilidade de promover novas formas de comportamento que garantam o futuro de toda a sociedade. Já sabemos o suficiente sobre o comportamento humano para poder recorrer a estímulos que induzam a mudanças de comportamento necessárias para resolver estes problemas graves que nos desafiam. Mas não faremos nada se ficarmos presos à noção de que isto interfere com a liberdade dos indivíduos.Tudo pode ser usado para fins sinistros


VEJA- Quando se começa a abrir mão desta liberdade, não há risco de grupos no poder usarem estas práticas de controle sem considerar o bem comum? E quem é que decide qual é o bem comum?


SKINNER- Claro que o ideal seria o príncipe esclarecido de Maquiavel, ou o rei-filósofo de Platão. Mas o problema com estes regimes ditatoriais é que eles bloqueiam o progresso, tendem à estagnação, enquanto sociedades com grau maior de liberdade evoluem mais rapidamente. Não acho que as sociedades marxistas, onde há controle absoluto, sejam mais eficientes - e não gostaria de morar na URSS, porque mesmo que os homens do topo tenham boas intenções, a vida dos cidadãos é desinteressante e cheia de inconveniências. Não acredito que seria preciso uma sociedade fechada, com um grupo manipulando as massas, para promovermos as mudanças de comportamento que defendo. Meu ponto é justamente que seria possível, usando nosso conhecimento sobre o comportamento humano, sensibilizar as pessoas para estes problemas e induzi-las, de forma positiva, a mudar.


VEJA- A educação seria um caminho?


SKINNER- O sistema educacional seria, sem dúvida, o ponto onde atacar. Mas não tenho qualquer esperança. O sistema educacional atual é o grande escândalo de nossa civilização, totalmente ultrapassado. Através da ciência do comportamento, desenvolvemos a educação programada, por exemplo, em que os estudantes usam materiais projetados especialmente para recompensar o avanço de cada um na aprendizagem – e torná-la mais rápida e interessante. Alguns setores pioneiros a adotam, mas, quase trinta anos depois, a maioria das escolas ainda resiste à idéia de educação programada, alegando que ela é massificante, ou que não respeita a individualidade e originalidade de cada indivíduo. Não vejo como educação programada seria mais massificante do que a televisão, por exemplo, mas isto ilustra bem como estamos presos a conceitos às vezes ultrapassados.


VEJA- E o senhor não vê qualquer possibilidade de mudança?


SKINNER- Se eu tivesse que prever o estado da sociedade daqui a 100 anos, se sobrevivermos a um desastre atômico, diria que haverá infelizmente um único governo autoritário – porque a esta altura este tipo de regime terá se tornado imperativo para controlar o crescimento populacional, a poluição e o consumo de recursos não renováveis.O Lamentável é que temos tecnologia e conhecimentos suficientes sobre comportamento para construirmos um mundo diferente, mas não somos capazes.


VEJA- Para muitas pessoas, Skinner e behaviorismo, embora já incorporados à ciência, ainda são sinônimos de manipulação de comportamento e possibilidades sinistras. Isso o incomoda?


SKINNER- Eu estou é preocupado com a escalada das armas nucleares, mas não culpo Einstein por isto. Lamento, como todo mundo, que certas drogas pesquisadas com fins farmacêuticos sejam usadas por viciados, mas nem por isso vai defender-se o fim da pesquisa farmacêutica. Não se acaba com os automóveis porque motoristas bêbados os usam para matar. Tudo pode ser usado para fins sinistros e isto vale para a tecnologia do comportamento. O fato é que pessoas habilidosas sempre souberam manipular o comportamento de outras. Só que o faziam intuitivamente, como uma arte. Alguns tinham o talento, outros não. Com o behaviorismo, explicamos como isto se faz.


VEJA- Ultimamente o senhor está popularizando estratagemas para superar os desconfortos da velhice. Até que ponto é possível retardar a senilidade mental?


SKINNER- A velhice é como o cansaço, com a diferença de que você não a elimina tirando férias ou uma soneca. Mas ela não precisa ser necessariamente o fim de qualquer atividade intelectual gratificante. Com este meu novo livro, eu terei publicado seis deles desde que completei 70 anos, o que é uma marca excelente para qualquer acadêmico. Isto foi possível porque, usando os conhecimentos desenvolvidos em laboratórios sobre comportamento humano, eu arranjei minha rotina de forma a que eu possa render tanto quanto possível. O segredo é justamente a lição do behaviorismo, de que nosso comportamento é pautado por reforços positivos ou negativos do meio ambiente. Você age de um modo, e há sempre conseqüências. Se elas são positivas para você, a tendência é repetir o comportamento. O problema é que na velhice somos gradualmente privados de todo tipo de reforço. O segredo é buscar formas de comportamentos que compensem.


VEJA- Por exemplo?


SKINNER- Na velhice não se sente bem o sabor dos alimentos, perde-se o apetite. Muitos desistem de apreciar música porque ouvem mal. Perdem-se os amigos, o sexo já não é estimulante, a aposentadoria elimina os estímulos profissionais e financeiros. Sem todos estes reforços, é compreensível que muitos velhos sejam derrubados pela depressão. É preciso aprender a trabalhar menos horas, perceber quando a fadiga mental interfere, saber então descansar profundamente para que o trabalho, quando reiniciado, seja gratificante.Truques para ajudar na velhice


VEJA- Pode-se usar um aparelho para a perda auditiva. Mas e a perda da memória?


SKINNER- Há pequenos truques que explico no livro para contornar a perda da memória, alguns bem simples. O importante é aceitar a deficiência e achar um jeito de combatê-la. Andar sempre com papel e lápis no bolso, por exemplo, ou um gravador, para registrar na hora todas as idéias antes que elas se percam. Procurar formas de lazer adequadas. Eu gostava de ler Balzac, mas a boa literatura é mais cansativa. Jogos complicados, como o xadrez, também não são adequados. Se se tiver a humildade de ler coisas mais simples, na hora do lazer, ou mesmo assistir televisão, pode-se realmente relaxar, para ser capaz, depois, de trabalhar produtivamente algumas horas. É preciso fazer um esforço para experimentar coisas novas, projetar quase cientificamente uma rotina e um estilo de vida que ofereçam estímulos específicos para substituir os que a sociedade e a deterioração física vão gradualmente eliminando.


Para citação (APA):Skinner, B.F. (1983, julho 15). Estado de alerta máximo. Veja, 03-06. (entrevista).
Postado por Ítalo Sobrinho